
A mais recente pesquisa Futura/Apex revelou o que já vinha se desenhando nas ruas e nas redes: o governo Lula 3 vive seu pior momento desde janeiro de 2023. Apenas 23,9% dos brasileiros avaliam a gestão como boa ou ótima, contra 51,1% que consideram ruim ou péssima. É a maior disparidade entre aprovação e rejeição já registrada pelo instituto.
Mas o que explica essa queda tão brusca?
O aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a ameaça de taxação de investimentos populares, como as LCAs, geraram forte rejeição entre empresários, produtores rurais e a classe média.
Num país ainda tentando se recuperar do impacto inflacionário, qualquer aumento de tributo soa como traição à promessa de "colocar o pobre no orçamento".
O desgaste com as fraudes no INSS, que prejudicaram diretamente aposentados e trabalhadores mais pobres, minou o apoio popular que Lula sempre teve entre os mais vulneráveis.
A gestão não conseguiu oferecer respostas convincentes nem medidas efetivas de correção. Resultado: desconfiança crescente.
Apesar de indicadores pontuais positivos, como o PIB técnico e a taxa de juros em queda lenta, a economia real segue estagnada. O número de empregos informais é alto, e o poder de compra segue corroído.
Para o eleitor comum, o discurso de estabilidade macroeconômica não enche a geladeira.
A insistência do governo em discursos ideológicos, confrontos com o Congresso e atritos com setores produtivos também ajuda a explicar a queda. A agenda pública parece distanciada das prioridades populares.
Fala-se de regulação de redes sociais, política internacional e ideologia, enquanto falta resposta concreta para segurança, saúde e geração de empregos.
Os números mostram que a curva é descendente há mais de um ano, com algumas breves oscilações. O desgaste não parece mais pontual, mas estrutural. A chamada “boca de jacaré” - quando a curva da rejeição sobe enquanto a da aprovação desce - está cada vez mais aberta.
Para reverter isso, o governo precisaria:
Reorientar a comunicação com foco no que afeta diretamente o cotidiano das pessoas;
Ancorar a política econômica em resultados práticos e não só em números técnicos;
Romper com discursos que reforçam a polarização e adotam tom revanchista;
Mostrar resultados claros no combate à corrupção e na gestão da máquina pública.
Até agora, nada disso foi feito.
Lula ainda mantém apoio político institucional, mas a base social está desgastada e desconfiada. O risco, para o Palácio do Planalto, é o cenário se agravar com o avanço de pautas impopulares e mais denúncias administrativas.
Se nada mudar, a tendência é que o governo chegue a 2026 enfraquecido - e talvez, isolado.
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