
O governo Lula 3 acordou atordoado após sofrer um nocaute bicameral histórico: a Câmara e o Senado rejeitaram, num só dia, o decreto que aumentava o imposto sobre Operações Financeiras - IOF. Foi a primeira derrota desse tipo em mais de 30 anos. Com 383 votos contrários na Câmara e aprovação simbólica no Senado, o revés não só expôs a fragilidade da articulação política do Planalto, mas revelou um governo sem rumo. Um governo que insiste em aumentar impostos para cobrir sua gastança descontrolada.
A resposta do Executivo foi impulsiva: ameaças de bloqueio de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares, discussão sobre judicialização no STF e até cogitação de reforma ministerial com corte de ministérios considerados infiéis.
No entanto, esse tipo de reação só evidencia o descontrole e a ausência de um plano racional. O governo precisa dar um passo atrás, respirar, conter o impulso e, sobretudo, evitar improvisos.
É hora de reavaliar a estratégia e reconhecer que o caminho não é confrontar o Congresso, e sim recuperar a credibilidade perdida. Melhorar a articulação nas duas Casas é necessário, mas nenhum articulador - por mais hábil que seja - conseguirá convencer os parlamentares se o governo não fizer o dever de casa.
A insistência em arrecadar mais às custas do contribuinte é um erro estratégico grave. Economistas, empresários, parlamentares (inclusive da base) são unânimes: a saída não está no aumento de tributos, e sim na contenção de gastos. O governo precisa cortar na própria carne e abandonar a narrativa de que gastar sem controle impulsiona crescimento. Isso não se sustenta - nem na teoria econômica nem na prática.
A situação exige maturidade, espírito autruísta. O país precisa de propostas sérias, viáveis e responsáveis. A população está exausta de manobras que penalizam quem trabalha e produz. O Brasil não sairá do marasmo com mais impostos, mas pode avançar se o governo reencontrar o caminho da responsabilidade fiscal, da eficiência administrativa e da construção de consensos reais. Para isso, é preciso menos discurso e mais ação - com equilíbrio, planejamento e coragem para mudar a rota.
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