
O governo Lula 3 parece mesmo ter perdido de vez sua capacidade de articulação com o Congresso Nacional. A derrota imposta pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25) foi clara, simbólica e avassaladora. Com 383 votos favoráveis e apenas 98 contrários, os parlamentares aprovaram o projeto que derruba os efeitos dos decretos presidenciais que aumentavam o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
A derrota, considerada previsível pelo próprio governo, revela um cenário político frágil, com um executivo cada vez mais isolado, mesmo entre partidos da base. A votação, comandada pelo relator Coronel Chrisóstomo (PL-RO), escancarou o tamanho real do PT e seus aliados — pequenos diante da insatisfação generalizada dos deputados.
O impacto político vai além da questão tributária. O governo perdeu no conteúdo — pois viu sua tentativa de aumentar a carga tributária ser revertida — e perdeu no placar, de forma humilhante, sem margem para disfarçar a fraqueza de sua base. O resultado representa uma dura mensagem do Congresso ao Palácio do Planalto: a paciência com o aumento de impostos e a ausência de diálogo está se esgotando.
Diante da derrota, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), reagiu afirmando que a derrubada dos decretos trará consequências. “Vai ter um novo bloqueio, vai ter um novo contingenciamento, porque o governo vai fazer valer as diretrizes do arcabouço fiscal”, declarou, em tom quase ameaçador.
A declaração soou como chantagem institucional: se o Congresso não aceita aumento de impostos, o Executivo retaliará com cortes e paralisações. Uma postura arriscada, que pode agravar ainda mais a crise política e a tensão entre os Poderes.
O relator do projeto, Coronel Chrisóstomo, criticou o uso de decretos para promover o aumento de impostos, o que chamou de “afastamento do primado constitucional”. Segundo ele, os decretos nº 12.466, 12.467 e 12.499 de 2025 elevaram o IOF em todas as suas quatro bases de incidência — seguros, câmbio, operações de crédito e títulos mobiliários — de forma abrupta e prejudicial à economia real.
O parlamentar destacou ainda que a medida do governo não visava equilíbrio fiscal responsável, mas sim cobrir buracos causados pela incapacidade de cortar gastos. Em outras palavras: o governo evita a austeridade administrativa e recorre ao caminho mais fácil — cobrar mais do contribuinte.
O texto segue agora para o Senado Federal. Segundo o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a votação pode ocorrer ainda nesta semana. Se aprovado, será uma vitória ainda mais dolorosa para o Planalto, que verá sua tentativa de sustentar a política fiscal com aumento de tributos ser rejeitada pelo Congresso inteiro.
Além do presente, a derrota projeta efeitos para o futuro. O resultado da votação mostra que o governo Lula entra fragilizado no segundo semestre de 2025, sem força política para pautas impopulares e com dificuldade de construir maioria estável. Um sinal preocupante com vistas à eleição de 2026, que já começa a movimentar os bastidores de Brasília.
O placar de 383 a 98 não deixa margem para dúvidas: o governo Lula 3 está politicamente enfraquecido, perdeu a capacidade de articulação e se vê cada vez mais pressionado por um Congresso que não aceita mais ser ignorado ou coagido.
O discurso de responsabilidade fiscal não pode servir de pretexto para empurrar a conta para o povo. E o governo precisa aprender que governar não é apenas decretar — é convencer, negociar, dialogar. O Congresso falou alto. Agora, cabe ao Planalto ouvir — ou seguir acumulando derrotas até que a governabilidade se torne apenas uma lembrança.
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