
O governador Rafael Fonteles (PT) confirmou nesta quinta-feira (19), por meio das redes sociais, o nome do professor e ex-deputado estadual João de Deus Sousa como novo titular da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (SASC) do Piauí. A mudança será efetivada no dia 1º de julho, quando Regina Sousa, atual secretária e ex-governadora, deixará o cargo para cuidar da saúde.
A escolha de João de Deus não foi aleatória. Trata-se de um nome de peso dentro do Partido dos Trabalhadores, com longa trajetória política, sólida experiência administrativa e bom trânsito nas bases do partido. Sua indicação atende tanto a critérios técnicos quanto políticos. Como ex-líder do governo na Assembleia Legislativa, presidente estadual do PT e profundo conhecedor das estruturas sociais do Estado, ele retorna à pasta que já comandou em gestões anteriores com a missão de implementar uma política mais eficaz de combate à pobreza e à insegurança alimentar.
No Piauí, em 2022, cerca de 34% da população enfrenta algum grau de insegurança alimentar, com 5,4% vivendo em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, fome. Isso de acordo com dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Insegurança Alimentar. O estado também possui o maior número de famílias em programas sociais, com mais de 266 mil residências dependendo do Bolsa Família ou similares.
Já em 2023, a PNAD Contínua registrou que a população residente em cerca de 42% dos domicílios do Estado apresentava algum grau de insegurança alimentar, o quinto maior indicador do Brasil, 14,4 pontos percentuais acima da média nacional (27,6%), e 3,3 pontos percentuais acima da média da região Nordeste (38,7%)
Por que João de Deus?
Rafael Fonteles aposta na combinação de experiência e fidelidade ideológica. João de Deus tem a confiança do núcleo duro do governo e goza de respeito entre os movimentos sociais que atuam na base do PT. Sua nomeação ocorre num momento em que o governo promove um redesenho da estrutura de assistência social, com o desmembramento da SASC e a criação da nova Secretaria do Trabalho e Emprego. O objetivo é claro: dar mais musculatura às políticas públicas voltadas à proteção social, geração de emprego e combate à fome.
Por que a mudança agora?
Regina Sousa deixa a SASC por motivos de saúde, como confirmou o governador. Mas os bastidores indicam que a mudança também faz parte de uma movimentação estratégica. Com a reestruturação aprovada pela Assembleia Legislativa, o governo quer imprimir um novo ritmo às políticas sociais e melhorar os indicadores de pobreza e exclusão no Piauí - que ainda preocupam. João de Deus, com sua experiência e perfil articulador, foi o nome natural para essa nova etapa.
Desmembramento da pasta: estratégia ou fragmentação?
A antiga SASC foi dividida: agora, além da nova nomenclatura (Secretaria do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), foi criada a Secretaria do Trabalho e Emprego. A primeira foca em proteção social, combate à fome e desigualdade. A segunda assume a responsabilidade de impulsionar a qualificação profissional, fomentar emprego e renda e criar mecanismos de inserção no mercado.
A aposta do governo é que, com essa separação, haverá mais foco e eficiência em duas áreas que, embora conectadas, exigem abordagens diferentes. Críticos, porém, alertam para o risco de dispersão de esforços e aumento da burocracia - um velho problema na administração pública brasileira.
O que esperar de João de Deus?
Com um perfil pragmático e discurso voltado à justiça social, João de Deus deverá dar continuidade ao trabalho iniciado por Regina Sousa, mas com traços mais objetivos e articuladores. O momento exige resultados: o Piauí ainda convive com bolsões de miséria, insegurança alimentar crescente e deficiências em serviços básicos de assistência social. E, diante do cenário nacional de ajuste fiscal, será necessário fazer muito com pouco.
João de Deus tem o desafio de dar cara e resultado à reestruturação proposta por Fonteles. Mais do que nunca, a política social no Piauí será testada em sua capacidade de transformar a vida dos que mais precisam.
A mudança é mais do que uma simples substituição de nomes. É visto por apoiadores do governo como o marco de uma nova fase, onde eficiência, articulação e presença nas bases serão indispensáveis. Se for bem-sucedido, João de Deus poderá consolidar não apenas um legado administrativo, mas também sua posição como um dos principais articuladores do PT no Estado.
Agora, resta acompanhar se a promessa de ampliar o combate à fome e às desigualdades sairá do papel - e se, na prática, a mudança de comando trará os resultados que a sociedade mais vulnerável do Piauí tanto espera. Condições para isso é o que não falta: governo petistas no Estado e na União e um ministro no ministério da fome.

EMENDA PARLAMENTAR Motta reage a Dino e acusa STF de criminalizar a atividade política
DIREITOS HUMANOS Governo Rafael Fonteles quer ensinar a polícia a ser polícia?
ELEITORADO FEMININO Flávio Bolsonaro reforça campanha com ex-presidente da Caixa e aposta no eleitorado feminino Mín. 20° Máx. 38°