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Política DESVIOS EM ONGs

Governo Lula ignora alerta técnico e abre brecha para desvios em ONGs: princípio da moralidade pública em xeque

Mudança na LDO 2026 elimina cláusula que exigia devolução de bens em caso de desvio de recursos por ONGs. Consultores alertam para ameaça aos princípios constitucionais e risco de apropriação privada de patrimônio público

16/06/2025 às 09h25 Atualizada em 16/06/2025 às 18h22
Por: Douglas Ferreira
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Decisão do governo Lula abre caminho para a corrupção de ONGs - Foto: Reprodução
Decisão do governo Lula abre caminho para a corrupção de ONGs - Foto: Reprodução

Em uma decisão controversa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ignorou parecer técnico da consultoria jurídica do Ministério do Planejamento e retirou da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 a cláusula que exigia a devolução de bens comprados com verbas públicas em caso de desvio por organizações não governamentais (ONGs). A medida, criticada por especialistas e técnicos da Câmara, abre um perigoso precedente: a legalização da apropriação privada de patrimônio público sem contrapartida ao Estado.

Parecer ignorado, princípios constitucionais atropelados

O parecer assinado pelo advogado da União Edilson Pereira de Oliveira Filho, coordenador de Assuntos Legislativos da Consultoria Jurídica do Planejamento, foi direto: retirar a cláusula de reversão patrimonial representa um risco à moralidade, à economicidade, à publicidade e à eficiência da administração pública – todos princípios consagrados na Constituição.

A cláusula, considerada "tradição" nas LDOs desde 2015, era a principal salvaguarda patrimonial do Estado em casos de malversação de recursos. Com sua exclusão, abre-se margem para que bens adquiridos com dinheiro público sejam incorporados sem controle por entidades privadas, mesmo em casos comprovados de irregularidade.

ONGs sem regras?

A proposta inicial de flexibilização foi justificada pela intenção de “desburocratizar” o acesso de ONGs de catadores de materiais recicláveis aos recursos. No entanto, o conjunto de alterações desenhado originalmente dispensava essas entidades de apresentar certidões negativas, demonstrar capacidade técnica e, agora, devolver bens desviados – criando o que técnicos do governo e da Câmara classificaram como um “ambiente propício a desvios”.

A versão final da LDO, após críticas internas, manteve a exigência das certidões e da comprovação de capacidade técnica. Mas excluiu, sem explicações consistentes, a cláusula da devolução de bens. Um relatório da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara aponta que isso representa "a eliminação injustificada de uma ferramenta básica de proteção ao patrimônio público".

Governo minimiza, oposição reage

Em nota, o Ministério do Planejamento alegou que “a reversão patrimonial e eventual devolução dos bens nem sempre vão ao encontro do interesse público” e que, em certos casos, a União não teria como dar destinação adequada aos bens.

A justificativa, no entanto, foi vista como evasiva por parlamentares da oposição, que já preparam uma reação. Deputados afirmaram que lutarão para reincluir a cláusula no texto da LDO durante a tramitação no Congresso. Para eles, o governo quer, na prática, blindar repasses bilionários a ONGs simpáticas à sua base política – sem transparência, controle ou fiscalização.

Maquiagem legal ou premeditação política?

A exclusão da cláusula, num contexto em que o governo Lula bate recordes de repasses para ONGs, levanta dúvidas inquietantes: teria sido uma medida deliberada para facilitar desvios sob o pretexto da inclusão social? A decisão revela um projeto de governança ou uma estratégia de aparelhamento do Estado por meio da "ONGcracia"?

Mais grave que a mudança pontual na lei é o sinal dado ao conjunto da administração pública: de que, em nome da conveniência política, pode-se ignorar pareceres técnicos, abrir mão de instrumentos legais de controle e rasgar os princípios constitucionais que sustentam a boa governança.

Conclusão: a quem interessa esse apagão de responsabilidade?

Ao relativizar a devolução de bens desviados e flexibilizar as exigências para o uso de recursos públicos, o governo fragiliza os pilares da gestão pública responsável. O caso ainda está em tramitação, mas o recado institucional já foi dado – e ele é perigoso: desvio não será punido, será tolerado. A pergunta que fica é: em nome de quê – ou de quem?

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