
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, se tornou um problema real dentro do governo Lula 3. Ao contrário do papel discreto adotado por outras primeiras-damas na história recente do Brasil, Janja escolheu o protagonismo - e a conta está chegando. Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha nesta sexta-feira (13), 36% dos brasileiros acreditam que a atuação da esposa do presidente mais atrapalha do que ajuda a gestão do petista. Apenas 14% enxergam sua participação como positiva.
Os números são claros: a rejeição a Janja é significativa e crescente, inclusive dentro do próprio campo político que elegeu Lula. Se o presidente conquistou a vitória nas urnas com 50,9% dos votos válidos, o fato de mais de um terço da população já ver a primeira-dama como um peso mostra que o incômodo ultrapassou bolhas ideológicas.
E o que explica essa rejeição? Para muitos, a resposta está no excesso de exposição, no gosto pelo estrelismo e nas interferências visíveis em decisões de governo. Soma-se a isso o alto custo de viagens, aparições em eventos oficiais sem função definida, compras consideradas supérfluas para o Palácio do Planalto e gafes internacionais - como a crítica pública ao TikTok diante do presidente da China, Xi Jinping.
O Datafolha revela ainda que a rejeição é mais acentuada entre pessoas com ensino superior, onde 49% dizem que Janja atrapalha o governo. O índice é de 34% entre quem tem ensino médio e 26% entre os que estudaram até o fundamental. Isso mostra que a avaliação negativa não está restrita a uma camada isolada da sociedade - é um incômodo transversal.
Além disso, 40% dos entrevistados disseram que a atuação da primeira-dama não interfere na gestão, e 10% afirmaram não ter opinião formada. Ou seja, o número dos que a veem como influente negativamente supera com folga os que avaliam qualquer contribuição real ao governo.
E, do jeito que as coisas caminham, já não se sabe quem goza de mais desprestígio junto à opinião pública: Janja ou o próprio Lula. Os dois se encontram em um ascendente de impopularidade. Basta lembrar que segundo também o Datafolha, Lula tem apenas 28% de aprovação contra 40% de reprovação do seu governo. E Janja tem participação nisso.
Enquanto se esperava que a primeira-dama acumulasse capital político para somar à imagem do presidente, impulsionando sua popularidade, ocorre exatamente o contrário. Janja apronta, aponta, xinga, incomoda e atrapalha - não só a imagem de Lula, mas também a credibilidade do líder petista e a estabilidade da própria gestão.
A pergunta que paira no ar é: até que ponto Lula está disposto a manter Janja como figura ativa e de influência em sua gestão? O desgaste está aí, estampado nos números. E os números não mentem.
Se a intenção era humanizar o governo, gerar empatia ou modernizar a imagem do Planalto, o resultado parece ter sido o oposto: exposição demais, protagonismo sem cargo e uma crescente impopularidade. A sombra de Janja já não é discreta - ela ofusca. E, para muitos brasileiros, ela atrapalha.
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