
No Brasil de 2025, o cidadão sai de casa com o coração apertado. Não sabe se volta com vida, com o celular, com a carteira ou ao menos com a dignidade intacta. A escalada da criminalidade tomou conta do país. Em cada esquina, uma ameaça; em cada semáforo, uma chance de assalto. E, em vez de enfrentar o problema com seriedade, o governo federal prefere o silêncio - ou, pior, a condescendência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a reconhecer o problema. Em março, no Ceará, afirmou com veemência: “Não vamos permitir que os bandidos tomem conta do nosso país. A república dos ladrões de celular não vai continuar assustando o povo brasileiro”.
A fala, que soou como um primeiro passo rumo a uma política mais firme de combate ao crime, ficou apenas nisso: em fala, falácia. Três meses depois, não houve um único gesto, decreto, campanha ou política nacional voltada ao combate ao roubo de celulares ou à criminalidade em geral.
O que se vê é uma total omissão. Nenhuma mobilização de ministérios. Nenhum esforço conjunto entre governo federal, Estados e municípios. Nenhum reforço da Força Nacional. Nenhuma articulação entre as secretarias de segurança pública dos Estados. Nem mesmo uma campanha educativa nacional. Nada. É como se o governo estivesse esperando que o problema se resolva sozinho, enquanto o cidadão de bem continua sendo massacrado pela violência cotidiana que escala nas capitais, grandes, médias e pequenas cidades do país.
O mais grave é que a sensação que fica é a de que Lula tem mais medo de desagradar o ladrão de celular do que de proteger a vítima. Por quê? Por que tanto cuidado com os bandidos? Por que tanta leniência com facções criminosas que dominam bairros inteiros, controlam presídios e espalham terror nas ruas e nas redes? Capitais como Fortaleza e Salvador estão dominadas pelo crime.
Esse tipo de inércia já não cola mais. O povo percebeu. O mesmo povo que confiou, que votou, que acreditou nas promessas de campanha. O mesmo povo que agora, frustrado, enxerga em Lula um vendedor de ilusões. A popularidade do presidente derrete nas pesquisas - e não por obra da oposição, mas por conta dos próprios erros do governo. Depois das trapalhadas econômicas do ministro Fernando Haddad, agora é a segurança pública que entra no topo da lista de gargalos da gestão petista.
Roubo de celular virou uma epidemia nacional. Quem não perde o aparelho, perde a paz. E quem não perde a vida, perde o direito de ir e vir. A promessa de Lula era clara. Mas até agora, nenhuma entrega. Nenhuma política. Nenhum plano.
Enquanto isso, Estados como o Piauí mostram que é possível agir. O governo local implantou um programa de rastreio e devolução de celulares roubados - uma iniciativa modesta, mas muito mais concreta do que qualquer atitude vinda do Planalto. Aliás, o programa foi levado ao ministro Lewandowscki que viu, gostou e prometeu implantar, mas assim como Lula, o ministro da Justiça ficou apenas na promessa.
O brasileiro paga impostos altíssimos e, em troca, espera ao menos o básico: segurança para viver. É um direito constitucional. E é também uma responsabilidade que recai sobre os governadores e, especialmente, sobre o presidente da República. Lula, porém, parece empurrar o problema com a barriga - como se bastasse mudar o discurso e esperar que a realidade obedeça.
Só que os dados, os números, não mentem. E o povo também não. Quando o discurso político não se traduz em ação, a indignação vira revolta. E a rua, que já foi lugar de festa para Lula, hoje se transforma num campo minado para sua imagem. Nem mesmo no Nordeste, seu antigo reduto fiel, o presidente consegue caminhar sem protestos ou segurança reforçada.
Chegou a hora de parar de falar e começar a agir. O Brasil não pode mais esperar. Segurança pública exige planejamento, decisão e coragem. E, até aqui, o governo Lula tem demonstrado tudo, menos isso.
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