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PEC da Segurança Pública: os desafios de uma política nacional integrada

Aprovada por unanimidade em dois turnos pelo Senado Federal na última terça-feira (3), a PEC visa ampliar a integração entre os órgãos de segurança e fortalecer o combate ao crime organizado.

07/11/2026 às 08h00
Por: Campelo Filho
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Antes de qualquer consideração sobre o tema, trago aqui dados da edição de outubro do Ipsos What Worries the World. O levantamento mostra que crime e violência constituem a principal preocupação dos brasileiros, apontada por 46% dos entrevistados. Quando comparado ao cenário de outubro de 2022, crime e violência apareciam entre as preocupações de 35% dos brasileiros. Em quatro anos, portanto, houve um crescimento de onze pontos percentuais na percepção da população sobre a gravidade do problema.

É nesse contexto que se dá a aprovação da PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), uma das principais promessas de campanha do presidente Lula e um dos grandes desafios que o seu governo terá a partir de fevereiro de 2027.

Aprovada por unanimidade em dois turnos pelo Senado Federal na última terça-feira (3), a PEC visa ampliar a integração entre os órgãos de segurança e fortalecer o combate ao crime organizado. Entre as principais mudanças propostas está a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, que prevê ações conjuntas, compartilhamento de informações e integração dos sistemas utilizados pelos órgãos de segurança. Ela também amplia a participação do governo federal no setor e estabelece regras para a criação de polícias municipais. Além disso, traz medidas mais rigorosas contra integrantes de facções criminosas e milícias, proteção às vítimas e mais recursos para a segurança pública. Com a aprovação, a PEC será promulgada pelo Congresso Nacional sem a necessidade de voltar à Câmara dos Deputados.

Voltando aos dados do Ipsos, além de crime e violência, a pesquisa revela também que a corrupção política e financeira alcançou 38% das menções (segunda posição), enquanto pobreza e desigualdade social chegaram a 33%, saúde com 31%, e impostos com 26%. (Leia aqui).

O levantamento demonstra que a sociedade brasileira convive com preocupações interdependentes: violência, fragilidade institucional, desigualdade e a necessidade de maior confiança nas instituições públicas. Por isso mesmo, não dá para olhar a aprovação da PEC de forma isolada. Tampouco como uma pauta restrita aos discursos eleitorais ou ao mero cumprimento de uma promessa de campanha.

Segurança Pública é uma preocupação concreta da sociedade em todos os estados e municípios do Brasil e tamanha complexidade não permite reduzir a importância dessa PEC a uma discussão apenas sobre endurecimento penal. O que também está em jogo é a capacidade do Estado de reorganizar a estrutura institucional da segurança pública brasileira no enfrentamento da criminalidade, de modo a produzir resultados efetivos na proteção da vida, da liberdade e do patrimônio dos cidadãos.

A aprovação unânime no Senado foi só o primeiro passo diante da complexidade que envolve um país tão grande como o Brasil, com realidades sociais, econômicas e territoriais muitos diferentes, porém formado por pessoas que compartilham dos mesmos sonhos: poder sair de casa sem medo, utilizar o transporte público com segurança, trabalhar sem estar submetida à violência, criar seus filhos em ambientes seguros... esses são os resultados concretos que a sociedade brasileira espera da PEC.

Com informações da Agência Senado e Ipsos

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Sobre Francisco Soares Campelo Filho é advogado empresarial, professor, escritor e palestrante. É pós-doutor em Direito e Novas Tecnologias pelo Mediterranea International Centre for Human Rights Research, em Reggio Calabria, Itália. Doutor em Direito e Políticas Públicas pela UNICEUB, em Brasília-DF, Brasil, com cursos de extensão em ESG, Inovação e Transformação Tecnológica pela Sorbonne, em Paris, França, e em Proteção de Dados e Inteligência Artificial pela Faculdade de Jurisprudência da Universidade Sapienza, em Roma, Itália. Mestre em Direito Público pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), no Rio Grande do Sul, Brasil. É membro consultor da Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da OAB, diretor do Serviço Social do Comércio (SESC), Administração Regional do Estado do Piauí, e conselheiro do Serviço de Apoio às Pequenas e Microempresas (SEBRAE), representando a Federação do Comércio do Estado do Piauí (FECOMERCIO).
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