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Saúde Saúde Mental

Do alerta global da OIT à nova NR-1 brasileira

Riscos psicossociais desafiam empresas, governos e trabalhadores no Brasil e no mundo.

23/05/2026 às 16h19
Por: Campelo Filho
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O novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), “O ambiente psicossocial de trabalho: desenvolvimentos globais e caminhos para a ação”, aponta que mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos devido a problemas de saúde relacionados a riscos psicossociais, como longas jornadas de trabalho, insegurança no emprego, bullying e assédio. O estudo também conclui que esses riscos são responsáveis por quase 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) perdidos anualmente, além de perdas econômicas equivalentes a 1,37% do PIB global a cada ano.

Para melhor compreender os riscos psicossociais, o relatório propõe três níveis inter-relacionados do ambiente de trabalho: o primeiro é a própria natureza do trabalho, incluindo as exigências, as responsabilidades, o alinhamento com as competências dos trabalhadores, o acesso a recursos e a concepção das tarefas em termos de propósito, variedade e utilização de habilidades; o segundo nível é a forma como o trabalho é organizado e gerido, abrangendo a clareza de papéis, expectativas, autonomia, carga de trabalho, ritmo de trabalho, bem como a supervisão e o apoio. Por fim, vem as políticas, práticas e procedimentos mais amplos do local de trabalho que regem o trabalho. Estes incluem os arranjos de emprego e de tempo de trabalho, a gestão de mudanças organizacionais, a monitorização digital, os processos de desempenho e recompensas, as políticas e sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho (SST), os procedimentos para prevenir a violência e o assédio no trabalho, e os mecanismos de consulta e participação dos trabalhadores.

Segundo o relatório, os riscos psicossociais surgem desses elementos e podem ser prevenidos por meio de abordagens organizacionais que tratem suas causas fundamentais. Destaca também a importância de integrar a gestão dos riscos psicossociais aos sistemas de segurança e saúde no trabalho, com o apoio do diálogo social entre governos, empregadores e trabalhadores.

Para Manal Azzi, líder da equipe de Políticas e Sistemas de Segurança e Saúde no Trabalho da OIT, os riscos psicossociais estão se tornando um dos desafios mais significativos para a segurança e a saúde no trabalho no mundo moderno. “Melhorar o ambiente psicossocial de trabalho é essencial não apenas para proteger a saúde mental e física dos trabalhadores, mas também para fortalecer a produtividade, o desempenho organizacional e o desenvolvimento econômico sustentável”, afirma.

De fato. No contexto brasileiro, por exemplo, só em 2025 foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, segundo o Ministério da Previdência Social. Um crescimento de 15,66% em comparação a 2024, quando foram concedidos 472.328 benefícios.

Esses números – do relatório da OIT e do Brasil – dão  a dimensão do problema e mostram que os impactos dos riscos psicossociais saem da esfera individual, alcançando empresas, sistemas de saúde, previdência e a economia como um todo. A saúde mental no trabalho, portanto, deixa de ser uma pauta de bem-estar para uma responsabilidade organizacional, regulatória e econômica.

E é nesse cenário que o Brasil implementa as novas alterações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A atualização já vem sendo tratada em caráter educativo desde maio do ano passado, mas passará a produzir efeitos fiscalizatórios a partir de terça-feira, 26 de maio. Ela obriga as empresas a mapear e gerenciar riscos psicossociais, assumindo a responsabilidade por fatores como sobrecarga de trabalho, pressão excessiva, ambientes tóxicos e assédio. As multas para quem descumprir variam conforme o número de empregados, a gravidade da infração e o tipo de descumprimento.

Com o objetivo de orientar as empresas, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou um Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1, disponível para download no site do órgão.

Fonte: Relatório OIT

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Sobre Francisco Soares Campelo Filho é advogado empresarial, professor, escritor e palestrante. É pós-doutor em Direito e Novas Tecnologias pelo Mediterranea International Centre for Human Rights Research, em Reggio Calabria, Itália. Doutor em Direito e Políticas Públicas pela UNICEUB, em Brasília-DF, Brasil, com cursos de extensão em ESG, Inovação e Transformação Tecnológica pela Sorbonne, em Paris, França, e em Proteção de Dados e Inteligência Artificial pela Faculdade de Jurisprudência da Universidade Sapienza, em Roma, Itália. Mestre em Direito Público pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), no Rio Grande do Sul, Brasil. É membro consultor da Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da OAB, diretor do Serviço Social do Comércio (SESC), Administração Regional do Estado do Piauí, e conselheiro do Serviço de Apoio às Pequenas e Microempresas (SEBRAE), representando a Federação do Comércio do Estado do Piauí (FECOMERCIO).
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