
O Primeiro Filho da República, Fábio Luís Lula da Silva, o conhecido Lulinha, parece ter encontrado na Espanha o lugar perfeito para viver. Está adaptado aos ares europeus, acomodado com a família e, pelo visto, sem a menor saudade do Brasil. Voltar? Só se for convocado pela Polícia Federal. Fora isso, a mala pode continuar guardada.
E, convenhamos, olhando pelo lado dele, até que a escolha faz sentido. Afinal, aqui não é exatamente um ambiente de tranquilidade para quem aparece citado em investigações sobre suspeitas de tráfico de influência durante o governo do próprio pai. São três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Não é pouca coisa, não, meu povo!
Segundo o que foi divulgado, Lulinha pretende continuar morando na Espanha pelos próximos anos, inclusive durante o quarto mandato de Lula. Ou seja, os quatro anos a mais de Lula no Palácio do Planalto, o filho deverá acompanhar tudo de camarote, mas do outro lado do Atlântico. É o governo em família, só que com endereço internacional.
Mas há um detalhe que pode tornar essa temporada espanhola ainda mais interessante: o caso do Careca do INSS e a relação de pessoas que aparecem no entorno das investigações. Nesse enredo, um nome chama atenção: Roberta Luchsinger, apontada como sócia de Lulinha e personagem que pode ter informações relevantes sobre os fatos investigados.
A relação entre os dois teria sofrido um abalo cismico depois que Roberta foi alvo de comentários atribuídos ao presidente Lula. Entre os termos mencionados está a palavra “pilantra”. Pelo visto, a amizade não resistiu à alta temperatura do ambiente político. E, quando a confiança vai para o beleléu, a conversa pode mudar de rumo.
Luchsinger teria manifestado disposição para colaborar com as investigações e revelar informações sobre o que sabe. Se isso se confirmar, a pergunta inevitável é: até onde essa disposição pode chegar? Quem mais aparece nesse roteiro? E o que, afinal, cada personagem sabia sobre as operações que estão sob investigação?
É importante separar as coisas: disposição para uma colaboração premiada não significa que ela já tenha sido formalizada, muito menos que as acusações estejam comprovadas. Mas, politicamente, a simples possibilidade de uma pessoa próxima abrir o jogo já é suficiente para provocar inquietação nos bastidores.
Resta saber ainda se a Polícia Federal tem interesse, se a PGR aceita, se a Justiça quer.
E Lula? Sabia de alguma coisa sobre as atividades atribuídas ao filho? Tinha conhecimento das relações e dos negócios que agora aparecem no radar das investigações? São perguntas legítimas, que precisam de respostas. Até aqui, não se pode transformar suspeita em condenação, mas também não há razão para fingir que o assunto não existe.
Enquanto isso, Lulinha parece ter escolhido a estratégia mais confortável: ficar longe da confusão e atravessar o Atlântico apenas quando a PF bater à porta. Não é exatamente uma demonstração de entusiasmo em voltar para casa. É mais uma espécie de turismo com prazo indeterminado.
E tem outra coisa curiosa: quando se trata de personagens da oposição, a palavra “fuga” costuma aparecer com uma facilidade impressionante no vocabulário político e jornalístico. Já quando o personagem é o filho do presidente, parece que o dicionário fica mais econômico. Aí vira mudança, temporada europeia, residência no exterior. Cada um escolhe o substantivo que mais lhe agrada.
.É o vernáculo da conveniência
O problema é que o caso do INSS não pode desaparecer no meio da agenda política. Estamos falando de um escândalo que envolve suspeitas de desvios de recursos que deveriam proteger aposentados e pensionistas. Gente que trabalhou a vida inteira e não pode virar figurante de mais uma novela de Brasília.
E, por falar em novela, já tem gente fazendo aposta sobre o próximo capítulo do Lula 4. Porque, para os críticos do petismo, a expectativa é que um eventual novo mandato venha acompanhado de mais explicações sobre rombos, escândalos e investigações. É uma previsão política, não uma sentença antecipada. Mas o histórico do governo certamente alimenta o sarcasmo.
Por enquanto, Lulinha segue olhando para a Espanha como quem encontrou um bom esconderijo - embora morar fora não signifique escapar da Justiça brasileira. Se a Polícia Federal o convocar, seus próprios advogados dizem que ele virá prestar depoimento.
Resta saber se, quando chegar a hora de falar, o Primeiro Filho continuará tão tranquilo quanto parece estar sob o sol espanhol. Porque uma coisa é aproveitar a vida na Europa. Outra, bem diferente, é deixar perguntas sem resposta no Brasil.
Lulinha quer a Espanha no Lula 4. O Brasil, pelo visto, fica para quando a PF chamar. Então tem tudo para envelhecer no Velho Mundo!
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