
A nova pesquisa do Instituto Veritá, divulgada pela Revista Oeste na noite desta sexta-feira (23), coloca Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno presidencial. O resultado chama atenção por três aspectos: a vantagem nos votos válidos, a ampliação da diferença em relação à pesquisa anterior e o tamanho da amostra, que ultrapassa 15 mil entrevistados.
O levantamento foi realizado a poucos dias da votação de domingo, 25 de outubro, quando o eleitorado decidirá quem ocupará a Presidência da República no próximo mandato.

Ficha técnica: quando, onde e quantos foram entrevistados?
Instituto: Veritá.
Período da coleta: 18 a 22 de outubro de 2026.
Abrangência: todo o Brasil.
Entrevistados: 15.554 eleitores.
Margem de erro declarada: 1 ponto percentual, para mais ou para menos.
Nível de confiança: 95%.
Registro no TSE: BR-06070/2026.
Financiamento: recursos próprios do instituto.
A coleta, segundo as informações publicadas, utilizou uma unidade automatizada de respostas, com reconhecimento de voz e transcrição. O instituto informa que o plano amostral utiliza dados do TSE, do Censo e de pesquisas domiciliares do IBGE.
A comparação entre as três rodadas divulgadas pelo Veritá ajuda a compreender a evolução do cenário.

Na primeira rodada, Flávio tinha 51,1% dos votos válidos, contra 48,9% de Lula, uma diferença de 2,2 pontos. Na pesquisa divulgada em 21 de outubro, a distância caiu para 1,4 ponto, com 50,7% para o senador e 49,3% para o presidente. Agora, a diferença voltou a crescer, alcançando 2,6 pontos.
O dado importante é que Flávio permaneceu na faixa dos 50% a 51% dos votos válidos nas três rodadas, enquanto Lula oscilou entre 48,7% e 49,3%. As variações individuais entre a rodada anterior e a atual, de 0,6 ponto para cada candidato em direções opostas, estão dentro da margem de erro declarada.
Isso sugere estabilidade no quadro geral, embora não prove que cada eleitor tenha mantido sua escolha.
É necessário separar três conceitos: liderança numérica, estabilidade das pesquisas e cristalização do voto.
Liderança numérica: neste levantamento, Flávio aparece à frente por 2,6 pontos nos votos válidos. A publicação da Revista Oeste afirma que a diferença está fora da margem de erro declarada. A comparação simples dos intervalos individuais também não mostra sobreposição, embora a avaliação formal da incerteza da diferença dependa da metodologia estatística empregada.
Estabilidade: as três rodadas mostram os dois candidatos em patamares próximos aos observados anteriormente. Flávio não apresenta uma disparada, mas tampouco perdeu sua posição numérica na série. Lula, por sua vez, não aparece com vantagem em nenhuma dessas três medições.
Cristalização do voto: aqui, a conclusão precisa ser mais cautelosa. As pesquisas são fotografias de diferentes momentos, não um acompanhamento individual dos mesmos eleitores. Portanto, elas não demonstram que os votos estejam definitivamente consolidados ou que não possa haver mudanças de última hora.
A interpretação mais segura é que o cenário se manteve relativamente estável na série do Veritá, com uma diferença maior nesta última rodada. Isso é evidência de consistência nas medições, não uma garantia de que o resultado da eleição será idêntico ao da pesquisa.
Os números divulgados pela Exame também mostram diferenças expressivas entre segmentos. Nos votos totais de cada grupo, Flávio aparece com 57,8% entre os homens, enquanto Lula registra 54,3% entre as mulheres. Entre os evangélicos, Flávio tem 66,6%, contra 31,4% de Lula. Entre os católicos, Lula aparece com 51,8%, ante 46,2% do senador.
Na faixa de renda familiar inferior a dois salários mínimos, Lula registra 52,2%, enquanto Flávio tem 44,8%. Entre aqueles com renda de dois a cinco salários mínimos, Flávio aparece com 54,3%, contra 43,8% do presidente. Acima de cinco salários mínimos, o senador marca 53,1%, e Lula, 45,5%.
Esses recortes mostram que a disputa não se distribui de maneira uniforme pela sociedade. Mas é importante lembrar que as margens de erro dos subgrupos podem ser maiores do que a margem geral, pois dependem do número de entrevistados em cada segmento.
O levantamento oferece três sinais relevantes. Primeiro, Flávio mantém uma vantagem numérica nas três rodadas do Veritá. Segundo, a diferença, que havia diminuído na pesquisa anterior, voltou a aumentar. Terceiro, a estabilidade dos percentuais sugere que a disputa chegou à reta final com os candidatos em patamares relativamente próximos aos registrados ao longo da série.
Isso não autoriza decretar o resultado antes da apuração. A margem de erro não é uma faixa que garante onde estará o resultado real, e uma pesquisa não elimina a possibilidade de diferenças entre a amostra e o comportamento efetivo dos eleitores.
Também é preciso considerar que a pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 22 de outubro. Ela não mede eventuais mudanças posteriores à coleta, inclusive as que possam ocorrer na reta final da campanha.
A principal conclusão, portanto, é objetiva: o Veritá registra Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 51,3% a 48,7% dos votos válidos, com uma diferença maior do que na rodada anterior. A série aponta estabilidade relativa, mas não comprova cristalização definitiva dos votos nem permite antecipar o resultado das urnas.
PRESUNÇÃO INOCÊNCIA Flávio Bolsonaro defendeu um assassino ou um acusado? O que os autos revelam sobre o caso Ana Clara
HEDONISTA DE LUXO Lulinha, o “bom vivant” que levanta perguntas incômodas sobre luxo, dinheiro e influência
DIREITO TRIBUTÁRIO Hugo de Brito Machado: o filho de Piracuruca que se tornou um dos maiores nomes do Direito Tributário brasileiro
DELEGADA DO CRIME Brasil em crise: quando a criminalidade se infiltra nas instituições da República
SENSAÇÃO ESTRANHA “Sei não, mas sei lá, viu?”: quando os números das pesquisas deixam uma pulga atrás da orelha
PREÇOS DISPARAM Café dispara 61%, gasolina sobe 32% e carne fica 20% mais cara durante o governo Lula
A FORÇA DO MEME Bolsonaro Hipotético: o humor como arma contra o Exército de Lula
FABRICA DE FAKES? Janones e a fábrica de alarmismo eleitoral: aposentadoria, Farmácia Popular e Petrobras no centro das acusações contra Flávio Bolsonaro
TRATAMENTO CÂNCER Prefeito Bruno Neto enfrenta recaída de leucemia e depende do plano de saúde para tratamento de R$ 3 milhões
Mín. ° Máx. °