
A reportagem de Jeniffer Gularte e Luísa Marzullo, publicada em O Globo nesta sexta-feira (23), aponta que Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao último debate presidencial com a orientação de evitar os erros do encontro anterior, marcado por provocações e ataques. A expectativa é de mais propostas, respostas objetivas e menos confronto pelo confronto.
Mas a grande pergunta é outra: os candidatos conseguirão colocar o futuro do Brasil acima das vaidades e dos interesses eleitorais?
A reportagem de O Globo, assinada por Jeniffer Gularte e Luísa Marzullo, revela que as duas campanhas estão revendo suas estratégias depois do debate da Band, considerado pobre em propostas e recheado de ataques. Flávio foi orientado a reduzir provocações e responder diretamente às perguntas. Lula, por sua vez, está sendo preparado para evitar as armadilhas do confronto e destacar as realizações de seu governo.
O problema é que prometer um debate melhor não significa, necessariamente, entregar um debate melhor. Os candidatos sabem que milhões de brasileiros estarão atentos, mas também sabem que qualquer deslize pode virar munição para o adversário nas últimas horas da campanha.
A economia precisa estar no centro da discussão. Como equilibrar as contas públicas? Como reduzir o custo de vida, estimular investimentos e gerar empregos? Quais medidas concretas serão adotadas para melhorar a renda dos brasileiros?
Na segurança pública, o eleitor precisa saber como cada candidato pretende enfrentar o crime organizado, proteger as famílias e fortalecer as instituições. Na saúde e na educação, é indispensável sair dos slogans e explicar prioridades, financiamento e metas.
E há uma cobrança ainda maior: os candidatos precisam demonstrar como suas promessas serão transformadas em políticas públicas. O eleitor não precisa apenas saber o que cada um pretende fazer. Precisa entender como, com quais recursos e em quanto tempo.
O histórico recente mostra como um confronto presidencial pode ser desviado de sua finalidade. Provocações, ironias, acusações pessoais e gestos calculados para as câmeras podem dominar a noite, enquanto as propostas ficam em segundo plano.
A mudança de estratégia das campanhas é positiva, mas não basta baixar o tom. É necessário elevar o nível.
A reportagem informa que Flávio deverá dar mais espaço a temas como economia, segurança pública e programas sociais. Lula, por sua vez, pretende apresentar realizações de seu governo e evitar entrar em bate-bocas. As regras da Globo também restringem a movimentação dos candidatos em parte do programa, numa tentativa de impedir a repetição de cenas do debate anterior.
Tudo isso pode contribuir para um encontro mais organizado. Mas a qualidade do debate dependerá, sobretudo, da disposição de cada candidato para responder ao que realmente importa.
O último confronto televisivo acontece a apenas dois dias da votação. Isso aumenta sua importância, especialmente para os eleitores que ainda têm dúvidas ou que esperam um último elemento para confirmar a escolha.
Não significa que o debate, por si só, determinará o resultado. Em uma disputa polarizada, muitos eleitores já chegam com suas preferências consolidadas. Ainda assim, uma resposta convincente, uma contradição exposta ou uma falha de desempenho pode influenciar a percepção de parte do eleitorado.
O encontro será mediado por César Tralli e está previsto para começar às 21h20, após o Jornal Nacional, com transmissão pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay.
O Brasil não precisa de dois candidatos tentando provar quem é mais hábil em provocar o adversário. Precisa de dois postulantes à Presidência demonstrando que compreendem a dimensão dos problemas nacionais e sabem como enfrentá-los.
Lula tem a obrigação de prestar contas sobre o governo que pretende continuar. Flávio tem a obrigação de apresentar alternativas claras e demonstrar que está preparado para governar. Nenhum dos dois pode usar o adversário como desculpa para fugir das próprias responsabilidades.
O eleitor não vai às urnas para escolher o melhor provocador. Vai escolher quem terá nas mãos o destino do país.
Que a Globo não seja apenas o palco do último duelo eleitoral. Que seja a oportunidade de ouvir respostas que faltaram durante a campanha.
Porque, no domingo, o Brasil vota. E, na segunda-feira, independentemente do vencedor, os problemas continuarão à espera de soluções.
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