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Política SEGUNDO TURNO

Real Time: Flávio tem 52% dos votos válidos e mantém vantagem numérica sobre Lula

A dois dias da votação, pesquisa aponta Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula. O levantamento indica estabilidade no cenário e mostra que a maioria dos eleitores já considera definido o voto para o segundo turno.

23/10/2026 às 07h43 Atualizada em 23/10/2026 às 09h21
Por: Douglas Ferreira
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Flávio Bolsonaro mantém-se numericamente a frente de Lula a dois dias da eleição - Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro mantém-se numericamente a frente de Lula a dois dias da eleição - Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro (PL) chega à reta final da disputa presidencial numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta sexta-feira (23). Nos votos válidos, o senador aparece com 52%, contra 48% do atual presidente. Nos votos totais, a diferença também favorece numericamente Flávio: 49% a 45%.

O resultado merece atenção porque, conforme o cenário descrito no levantamento, Flávio manteve a dianteira desde o primeiro turno. Mesmo com a disputa tecnicamente empatada no limite da margem de erro, o senador preserva uma vantagem numérica que se repete em diferentes levantamentos. A pergunta central, a dois dias das urnas, é o que essa estabilidade revela sobre a campanha e sobre a dificuldade de Lula em alterar o quadro.

O que os números dizem sobre a reta final

A primeira leitura é que Lula não conseguiu produzir uma virada consistente nas pesquisas. Na rodada anterior da Real Time, divulgada em 20 de outubro, Flávio tinha 48% das intenções de voto totais e Lula, 45%. Agora, o senador aparece com 49%, enquanto o presidente permanece em 45%. A diferença numérica aumentou de três para quatro pontos percentuais.

Isso não significa que o eleitorado esteja imune a mudanças, nem que a eleição esteja decidida. Significa que, dentro da série de levantamentos da Real Time, a campanha de Lula ainda não conseguiu deslocar o cenário a seu favor. A disputa continua tecnicamente empatada, mas a estabilidade também é um dado político: a ofensiva de um candidato não se traduz necessariamente em crescimento nas intenções de voto.

A segunda leitura está no grau de definição do eleitorado. Segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados afirmam já ter o voto definido para o segundo turno. Entre os eleitores de Flávio, 94% dizem que não mudariam de jeito nenhum; entre os de Lula, esse percentual é de 93%. Apenas 2% de cada grupo admitem a possibilidade de mudar para o adversário.

Esse quadro reduz o espaço para grandes reviravoltas na reta final. A disputa passa a depender ainda mais da capacidade de cada campanha de mobilizar quem já decidiu, garantir comparecimento e conquistar uma parcela menor de eleitores ainda suscetíveis a mudanças. A militância nas ruas pode dar visibilidade, mas não é, por si só, garantia de conversão de votos.

A rejeição também ajuda a compreender o desafio dos dois candidatos. Na Real Time, 36% dizem que não votariam em Lula, ante 33% que rejeitam Flávio. Outros 28% afirmam que não votariam em nenhum dos dois, enquanto 3% não rejeitam ninguém. Esses números revelam resistências importantes dos dois lados, sem permitir concluir, isoladamente, para onde irão os votos restantes.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas com 16 anos ou mais, entre 19 e 22 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Está registrada no TSE sob o número BR-09670/2026. Como a diferença entre os candidatos está dentro da margem de erro, a dianteira numérica de Flávio não deve ser confundida com uma vantagem estatisticamente consolidada.

A conclusão é que Flávio preserva uma vantagem numérica, enquanto Lula ainda busca alterar um cenário que permanece apertado. O levantamento não permite decretar vencedor antecipadamente, mas oferece um retrato relevante da reta final: a campanha petista não conseguiu abrir distância, o eleitorado declara estar amplamente decidido e os dois candidatos chegam aos últimos dias diante de uma disputa concentrada na mobilização e na manutenção dos votos.

O resultado será definido nas urnas. Até lá, o dado mais importante não é transformar quatro pontos em certeza, mas compreender o que eles representam: uma liderança numérica persistente, um adversário que ainda não conseguiu ultrapassá-la e uma eleição em que cada voto continua contando.

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