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Nada é por acaso?

Cores significam de fato escolhas e opções de vida?

22/10/2026 às 08h45
Por: Josenildo Melo
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Foto: https://www.vaticannews.va/en.html
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Tudo é por acaso? Nada é por acaso? As cores querem dizer muitas coisas e falam por si sós em suas escolhas. Afinal, o que é a polifonia das cores? A polifonia das cores é um conceito artístico, frequentemente associado ao pintor expressionista Paul Klee, que descreve a harmonia, o ritmo e a sobreposição de diferentes tons cromáticos de forma semelhante à música. Assim como na música polifônica várias melodias independentes soam juntas para criar uma obra rica e complexa, na pintura as cores interagem e se sobrepõem para criar uma sensação de movimento, profundidade e som visual — um percurso pela espiritualidade das cores.

O Padre José Miguel Cardoso nasceu em 1986, em Portugal. É presbítero da Arquidiocese de Braga e atualmente trabalha no Dicastério para a Cultura e Educação da Cúria Romana, além de colaborar na paróquia del Santissimo Crocifisso, em Roma. No passado dia 15 de outubro, publicou a sua recente obra: “O Segredo das Cores: Espiritualidade Cromática”. Além do livro, lançou também um podcast sobre o tema das cores, que já está disponível no Spotify. As cores influenciam muitas coisas!

Dom Celso José Pinto da Silva costuma dizer que a Igreja possui sempre alguém em algum lugar ou entretido em pesquisar alguma coisa. Isso é uma verdade concreta. No livro O Segredo das Cores: Vivendo num Inevitável Mundo Cromático, a obra apresenta-se como um estudo sobre uma das primeiras linguagens da humanidade (as cores), através de um percurso interdisciplinar de pesquisa histórica, tradução cultural, análise psicológica e interpretação espiritual. Para fundamentar a proposta, a obra cruza várias fontes interdisciplinares, desde a teologia, filosofia, antropologia, sociologia e psicologia até a cultura e a arte.

Sendo usadas nas mais diversas plataformas existenciais, as cores não apenas influenciam a nossa mentalidade, comportamento e decisões quotidianas, como também são uma forma de revelação do humano e de Deus. Em boa verdade, as cores são muito mais do que meros fenômenos visuais: tornam-se símbolos capazes de iluminar a experiência humana e epifanias que destapam o transcendente. Daí o subtítulo nomear-se “espiritualidade cromática”, dado que a obra não pretende cingir-se somente a uma reflexão estética, mas também promover uma determinada práxis antropológica a partir da sabedoria que as cores nos ensinam e interpelam.

Tudo é por acaso? Nada é por acaso? O Papa costuma usar a cor branca. O Papa veste branco principalmente por causa da eleição do Papa São Pio V em 1566, que era da Ordem dos Dominicanos e decidiu manter o hábito branco de sua ordem em vez de mudar para as roupas comuns da corte papal. São Pio V (século XVI) pertencia à Ordem dos Pregadores (dominicanos), cujo hábito tradicional é branco. Ao se tornar Papa, ele manteve a batina branca. Os papas seguintes gostaram do costume e continuaram a usar a batina branca, que virou uma regra oficial com o tempo. O branco simboliza a pureza, a santidade de vida e a luz de Cristo.

Toda a reflexão parte da seguinte premissa e pergunta: perante as cores, podemos ter vários modos de análise — um físico estuda a natureza das suas vibrações eletromagnéticas; um químico estuda a constituição molecular da matéria colorante; um fisiologista examina os vários efeitos da luz e das cores sobre o nosso sistema visual; um psicólogo interessa-se pelas ressonâncias das cores sobre o nosso subconsciente; um antropólogo debruça-se pelo seu simbolismo cultural; e um artista explora o seu efeito estético. E a teologia (Igreja), como encara as cores?

Dada a sua natureza interdisciplinar, a obra destina-se a um público poliédrico: desde artistas, alunos/professores das escolas de arte, investigadores das ciências humanas, gestores e mediadores culturais até agentes pastorais da Igreja Católica (liturgia, catequese, bens culturais) e, sobretudo, pessoas inquietas espiritualmente. Um livro que vale a pena!

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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