
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) tem motivos de sobra para sorrir. E o principal motivo? Ora, o Instituto Gerp, aquele que mais se aproximou do resultado do primeiro turno, aponta o senador com seis pontos percentuais de vantagem sobre Lula (PT) na disputa pela Presidência da República. Sim, minha gente! Flávio aparece com 53% dos votos válidos, contra 47% do petista. É uma diferença expressiva a apenas quatro dias da votação, marcada para domingo, 25 de outubro.
E o detalhe que dá ainda mais peso a esse resultado é justamente o histórico do instituto. Enquanto uma verdadeira procissão de pesquisas apostava na vitória de Lula no primeiro turno, o Gerp apresentou números que apontavam Flávio na frente, com 46% contra 44% do petista. O resultado das urnas deu novo fôlego ao debate sobre os institutos que erraram feio nas projeções e aqueles que conseguiram enxergar uma realidade diferente da anunciada por boa parte do mercado das pesquisas.
Agora, o Gerp volta a colocar Flávio na dianteira e amplia a diferença no cenário dos votos válidos. Na pesquisa anterior, divulgada em 16 de outubro, o senador tinha 52%, contra 48% de Lula. No levantamento mais recente, Flávio sobe para 53%, enquanto o petista recua para 47%. As oscilações individuais estão dentro da margem de erro, mas a fotografia continua mostrando uma vantagem de seis pontos para o candidato do PL.
E Lula?
Bem, o presidente não conseguiu melhorar seus números nesse intervalo. Pelo contrário, aparece um ponto abaixo no levantamento. Para quem precisa virar o jogo na reta final, não é exatamente a notícia que gostaria de receber. Como se diz no Nordeste, o cabra pode até insistir na mesma conversa, mas, se o resultado não muda, alguma coisa precisa ser revista.
A leitura política desses números permite uma interpretação bastante clara: a estratégia petista de desconstruir Flávio, apostando em ataques, acusações e conteúdos negativos e até fake news contra o adversário, não produziu, até aqui, o avanço esperado nas pesquisas do Gerp. Se a intenção era enfraquecer o senador e empurrá-lo para trás, o levantamento não mostra esse efeito.
O tiro pode estar saindo pela culatra.
E é aí que entra a discussão sobre as chamadas fake news, as mensagens descontextualizadas e o bombardeio de críticas que marcam a campanha. Na avaliação dos críticos de Lula, a ofensiva contra Flávio pode estar provocando um efeito rebote: em vez de convencer o eleitor a abandonar o senador, estaria consolidando a disposição de uma parcela do eleitorado de votar nele.
É uma hipótese política que ganha força diante dos números, embora a pesquisa, isoladamente, não prove a causa desse comportamento.
No cenário de intenção de voto estimulada, considerando todos os entrevistados, Flávio registra 50%, contra 45% de Lula. Outros 2% dizem que não votariam em nenhum dos dois, enquanto 2% não sabem ou não responderam. A soma chega a 99% por causa dos arredondamentos.
A diferença também favorece o senador e reforça o quadro apresentado pelo instituto.
Outro dado que merece atenção é a rejeição: levantamentos repercutidos por outras fontes apontam 49% para Lula e 46% para Flávio. Se confirmada essa fotografia, o presidente enfrenta um obstáculo adicional, pois precisa conquistar votos justamente em um cenário no qual sua rejeição aparece acima da registrada pelo adversário.
A pesquisa ouviu 2.400 eleitores por telefone em todo o Brasil, entre 19 e 21 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03835/2026 e custou R$ 15 mil, pagos com recursos próprios do instituto.
É evidente que pesquisa não é urna, e ninguém precisa de bola de cristal para reconhecer isso. Mas também não se pode exigir que um analista olhe para os números e finja que eles não dizem nada. Se Flávio mantém a dianteira, Lula não avança e o instituto volta a apontar vantagem para o senador, existe, sim, material para projetar um cenário favorável ao candidato do PL.
A quatro dias da votação, a campanha petista tem um desafio e tanto: reverter uma diferença que o Gerp mede em seis pontos. Flávio, por sua vez, chega a esse trecho final com números que alimentam o otimismo de seus apoiadores e aumentam a pressão sobre o adversário.
No Nordeste, a gente costuma dizer que não adianta vender farinha como se fosse ouro. Pesquisa tem método, número tem significado e eleitor não é massa de manobra que muda de opinião só porque uma campanha deseja. Se a fotografia do Gerp estiver captando corretamente o humor do eleitorado, a reta final poderá ser muito mais difícil para Lula do que seus estrategistas imaginavam.
Domingo está logo ali. E, desta vez, o Gerp coloca Flávio Bolsonaro seis pontos à frente. O resto é campanha, disputa de narrativas e, finalmente, a palavra soberana das urnas.
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