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Política O DESGASTE DE RAFAEL

A água virou o calcanhar de Aquiles do Governo Rafael no Piauí

De Norte a Sul, de Leste a Oeste, a falta d’água deixou de ser apenas uma reclamação doméstica e entrou definitivamente no debate político. Moradores protestam, prefeitos cobram, a Justiça é acionada e a oposição transforma o problema em uma das principais bandeiras da campanha

24/09/2026 às 18h02 Atualizada em 25/09/2026 às 08h08
Por: Douglas Ferreira
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A falta d'água em todo o Piauí demonstra a incapacidade do governo Rafael Fonteles de entrega o mais básico para o piauiense - Foto: Reprodução
A falta d'água em todo o Piauí demonstra a incapacidade do governo Rafael Fonteles de entrega o mais básico para o piauiense - Foto: Reprodução

A água, ou melhor, a falta dela, persiste no Piauí.

E já não é possível tratar o problema como uma reclamação isolada de moradores de um ou outro município. A crise ganhou dimensão política, espalhou-se pelo Estado e provocou reações de Norte a Sul, de Leste a Oeste.

O povo está indo às ruas. Prefeitos estão cobrando. A Justiça está sendo acionada. E a classe política finalmente percebeu que a água que não chega à torneira pode chegar, e com força, ao debate eleitoral.

Os movimentos acontecem praticamente todos os dias.

Em Uruçuí, o episódio mais recente ganhou repercussão estadual. O prefeito Gilberto Júnior foi pessoalmente até o bairro São Francisco II, onde moradores enfrentavam problemas no abastecimento, e cobrou explicações de funcionários da Águas do Piauí que trabalhavam em uma obra no local. Uma moradora relatou estar havia cinco dias sem água. A situação já havia chegado à Justiça, que determinou multa diária de R$ 10 mil à concessionária diante do problema no abastecimento.

O episódio é simbólico.

Justamente num bairro onde a população sofre com a falta d’água, lá estava a concessionária fazendo uma obra. E o prefeito foi conferir de perto, cobrar e questionar.

Não é mais apenas o cidadão reclamando na calçada.

É o prefeito cobrando na obra.

E não é somente Uruçuí.

Em Castelo do Piauí, no Norte do Estado, moradores denunciaram interrupções que chegaram a deixar famílias até seis dias sem água. Sem abastecimento, muita gente precisou comprar água mineral para beber, cozinhar e realizar tarefas básicas de higiene.

Em Santo Inácio do Piauí, a própria Prefeitura recorreu à Justiça alegando períodos prolongados de desabastecimento e pedindo providências contra a concessionária.

Em Várzea Branca, o Ministério Público também acionou a Justiça após receber reclamações sobre interrupções frequentes e prolongadas no fornecimento.

Ou seja, a crise não está concentrada em uma única região.

Ela se espalha.

E, quando um problema se espalha dessa maneira, deixa de ser apenas operacional. Torna-se problema de gestão pública.

A água entrou na campanha

A oposição percebeu o tamanho do problema e decidiu bater forte.

Joel Rodrigues transformou a água na torneira em uma das principais bandeiras de sua campanha. O candidato do Progressistas afirma que o governo precisa resolver o que considera básico antes de apresentar grandes projetos. Em discurso recente, disse que Rafael Fonteles é “bom em cálculos e números”, mas que não teria resolvido problemas essenciais como saúde e água.

Em outro momento da campanha, Joel colocou a questão de maneira ainda mais direta: “água na torneira dos piauienses” está entre as prioridades que pretende adotar caso seja eleito.

No debate da O Dia TV, o assunto também provocou confronto direto entre os dois candidatos. Joel afirmou que “o povo do Piauí passa sede”, enquanto Rafael respondeu atribuindo o problema à incapacidade operacional da antiga Agespisa e defendeu as medidas adotadas pelo governo para ampliar o abastecimento.

A discussão, portanto, está posta.

E dificilmente desaparecerá enquanto houver piauienses abrindo a torneira e encontrando apenas ar.

O problema é maior que uma eleição

É importante reconhecer que o Governo do Estado apresenta ações e investimentos no setor e que a própria Águas do Piauí anuncia intervenções, manutenção de poços e medidas emergenciais em diversos municípios. A concessionária, inclusive, mantém uma operação específica para o período do B-R-O-Bró, quando a demanda por água aumenta.

Mas existe uma diferença entre anunciar obras e garantir água regularmente.

Entre instalar equipamentos e fazer a água chegar.

Entre divulgar números e abrir a torneira.

É justamente nessa diferença que está o desgaste político.

Porque o cidadão não bebe anúncio.

Não cozinha com propaganda.

Não toma banho com estatística.

Ele precisa de água.

O calcanhar de Aquiles

Rafael Fonteles chega à reta final do mandato tendo de administrar uma contradição politicamente incômoda.

De um lado, um governo que apresenta projetos de grande porte e uma agenda de desenvolvimento para o Estado.

De outro, uma população que, em diferentes municípios, ainda enfrenta um problema básico: água dentro de casa.

O próprio Plano de Governo registrado para um eventual segundo mandato coloca saneamento e recursos hídricos entre os eixos estratégicos da administração.

Mas é justamente o básico que está sendo cobrado agora.

O hidrogênio verde pode esperar.

O porto pode esperar.

Grandes projetos de infraestrutura podem esperar.

A água, não.

Quem está com a torneira seca não quer saber do futuro distante. Quer saber quando a água vai chegar.

E é por isso que a falta d’água se transformou, talvez, no calcanhar de Aquiles político do governo.

Não porque a oposição diga isso.

Mas porque o problema deixou os discursos, atravessou as fronteiras partidárias, chegou aos prefeitos, aos promotores, aos juízes e, principalmente, às casas dos piauienses.

A água virou assunto de campanha.

Virou assunto de prefeitura.

Virou assunto de Justiça.

E, acima de tudo, virou assunto de rua.

Agora, a pergunta que fica para o Governo do Estado é simples:

quanto tempo ainda será necessário para que o piauiense possa abrir a torneira e encontrar aquilo que deveria ser o mais básico dos serviços públicos, água?

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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