
A relação entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro ganhou mais um capítulo no campo da opinião pública. Pesquisa atribuída ao Atlas/Estadão aponta que 60,5% dos entrevistados defendem o impeachment imediato de Dias Toffoli, enquanto 49,8% apoiam o afastamento imediato de Alexandre de Moraes.
Os números fazem parte de um levantamento realizado, segundo os dados divulgados, entre 17 e 21 de setembro de 2026, com 1.852 entrevistados, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
É importante fazer uma distinção: os percentuais não significam que todos os entrevistados considerem comprovadas irregularidades. A própria pesquisa separa aqueles que defendem o afastamento imediato dos que entendem que seria necessário aguardar o resultado das investigações.
No caso de Moraes, 31,9% afirmaram que só apoiariam o impeachment se as apurações confirmassem envolvimento. Outros 15,1% são contrários ao afastamento, enquanto 3,2% não souberam responder.
Entre os que avaliaram Toffoli, 26,1% disseram que apoiariam o impeachment caso as investigações confirmassem envolvimento. Outros 6,5% são contrários e 6,8% não souberam responder.
O levantamento ocorre em meio às repercussões do caso Banco Master e às discussões sobre possíveis relações entre autoridades e pessoas ligadas à instituição financeira.
No caso de Moraes, informações atribuídas a relatório da Polícia Federal e divulgadas pelo Estadão apontaram mensagens nas quais Vorcaro teria procurado o ministro para tratar de assuntos relacionados às investigações envolvendo o banco.
Também vieram a público informações sobre contratos envolvendo o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Os valores mencionados nas reportagens são de R$ 131 milhões, em um contrato, e R$ 50 milhões, relacionados a outro negócio. Também foram noticiados cartões de crédito destinados a familiares do ministro.
Essas informações, contudo, devem ser tratadas como elementos de reportagens e de investigações, e não como prova definitiva de irregularidade ou crime.
A situação de Dias Toffoli está relacionada a outro episódio. O nome do ministro apareceu nas discussões sobre o resort Tayayá, no Paraná, que tinha vínculos societários com familiares do magistrado e com um fundo apontado em reportagens como relacionado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Toffoli havia relatado processos relacionados à Operação Compliance Zero, mas deixou a relatoria depois que o vínculo econômico veio a público. O caso foi redistribuído ao ministro André Mendonça.
A repercussão do episódio passou a alimentar questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a relação entre integrantes da Corte e pessoas ligadas ao Banco Master.
Segundo os dados apresentados pela pesquisa, a percepção negativa não se limita a um grupo pequeno de entrevistados. No entanto, os próprios números mostram uma sociedade dividida entre quem considera já haver elementos suficientes para o afastamento e quem prefere aguardar as investigações.
O levantamento também aponta mudança na percepção sobre Toffoli em relação a uma pesquisa AtlasIntel anterior: o percentual dos que defendiam seu impeachment teria passado de 49,3% para 60,5%, uma alta de 11,2 pontos percentuais.
A AtlasIntel mantém uma página pública com seus levantamentos nacionais e pesquisas temáticas, embora o resultado específico citado acima não tenha aparecido na página pública consultada nesta apuração.
Aqui está um ponto que costuma gerar confusão.
Não cabe ao presidente da República, à Câmara dos Deputados ou ao próprio STF decidir isoladamente pelo impeachment de um ministro da Suprema Corte.
A Constituição estabelece que compete privativamente ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.
A Lei nº 1.079/1950, que regulamenta o processo, prevê crimes de responsabilidade específicos para ministros do Supremo, incluindo hipóteses como julgamento em situação de suspeição e conduta incompatível com a honra, dignidade e decoro das funções.
Em eventual julgamento, a legislação estabelece que uma condenação exige voto de dois terços dos senadores.
Portanto, a pesquisa mede percepção e opinião da população. Ela não determina a existência de crime de responsabilidade nem produz, por si só, qualquer efeito jurídico sobre os ministros.
O que os números revelam é outra coisa: o caso Banco Master entrou no debate sobre a imagem pública do STF e passou a ser associado, por parcela expressiva dos entrevistados, à defesa do impeachment de dois de seus ministros.
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