
Será lançada nesta quinta-feira, 10 de setembro, a partir das 18h30, no Cine Teatro da Universidade Federal do Piauí, no Campus da Ininga, a segunda edição da biografia do jornalista Carlos Said, o inesquecível Magro de Aço. Aos 95 anos e afastado das atividades profissionais, ele continua sendo uma das figuras mais emblemáticas da cultura, do jornalismo e do esporte do Piauí.
Escrita pelo jornalista e professor Gustavo Said, a obra chega 15 anos depois da primeira edição, agora revista, atualizada e ampliada. São aproximadamente 500 páginas, acompanhadas de inúmeras fotografias e seis novos capítulos, que incorporam acontecimentos importantes da trajetória de Carlos Said e ajudam a compreender as transformações sociais e culturais vividas pelo Piauí ao longo das últimas décadas.
Segundo o autor, a nova edição nasceu de uma necessidade que ultrapassa a simples atualização biográfica. Durante os 15 anos que separam as duas edições, novos fatos marcaram a vida de Carlos Said e o contexto histórico no qual ele está inserido. Além disso, o livro passou a ser utilizado como bibliografia básica nos cursos de jornalismo das faculdades locais, o que estimulou o aprofundamento de temas importantes para a compreensão da história da imprensa piauiense.
A trajetória de Carlos Said se confunde, em muitos momentos, com a própria história de Teresina. Filho de imigrantes sírios que chegaram à capital piauiense no início do século XX, ele atravessou décadas testemunhando e participando das grandes transformações políticas, sociais, culturais e esportivas do Estado.
Said foi muito mais do que um jornalista esportivo. Foi radialista, professor, historiador, advogado, literato, polemista e personagem ativo da vida cultural piauiense. Como ex-goleiro do River Atlético Clube, levou para o jornalismo esportivo a experiência de quem conhecia o futebol não apenas como espectador, mas também como protagonista dentro de campo.
Na imprensa, construiu uma trajetória pioneira. É considerado fundador e decano da imprensa esportiva piauiense, criou a primeira equipe de esportes do rádio e participou da primeira transmissão radiofônica de uma partida de futebol realizada no Piauí, em 1950. Mais tarde, tornou-se o primeiro diretor de jornalismo da Rádio Pioneira, onde ajudou a consolidar o conhecido slogan da emissora: “a emissora que não para”.
Durante mais de três décadas, também esteve ligado à Universidade Federal do Piauí como professor. Na sala de aula, assim como no rádio e nos jornais, exercitou uma característica que se tornou sua marca: a capacidade de observar os acontecimentos com independência, coragem, inteligência e espírito crítico.
Seu estilo era inconfundível. Carlos Said podia ser mordaz, irônico e contundente, mas também sabia ser emotivo e até lírico. Suas análises combinavam conhecimentos históricos com a experiência jornalística, adaptando linguagem e abordagem de acordo com o público, o tema e o momento. No rádio, transitava entre o erudito e o popular, criando metáforas e expressões que permanecem na memória de seus ouvintes, como o célebre “bilinguinguins do inferno”.
A nova biografia revela, portanto, não apenas a história de um homem, mas parte da própria memória do Piauí. Na vida de Carlos Said estão presentes a saga dos imigrantes que ajudaram a construir Teresina, a evolução do jornalismo, a transformação do rádio, a história do futebol e as mudanças culturais que atravessaram os séculos XX e XXI.
Por isso, são muitas as definições possíveis para Carlos Said: jornalista, radialista, professor, historiador, advogado, literato, comentarista esportivo, goleiro e polemista. Nenhuma delas, isoladamente, porém, parece suficiente para explicar a dimensão desse personagem.
Carlos Said é, acima de tudo, uma referência da identidade cultural de Teresina e do Piauí. Uma testemunha da história que também ajudou a escrevê-la.
Aos 95 anos, o Magro de Aço permanece como uma dessas figuras raras que ultrapassam a própria profissão e se transformam em memória coletiva. Um homem de aparência frágil, mas de personalidade forte, cuja trajetória foi marcada pela coragem e pela resistência.
Um homem que, segundo a própria história que construiu, chegou a derrotar a morte por duas vezes.
Carlos Said não é apenas uma lenda do jornalismo esportivo piauiense. É parte da história do Piauí.
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