
E alguém ainda se preocupa com isso? No Brasil, nos últimos trinta anos, foi disseminada a cultura do não pagamento de dívidas? Inúmeras conversas circulam no meio popular, de tal forma que ninguém, em não sã consciência, parece mais se preocupar em pagar dívidas? E o boato vai passando de pessoa para pessoa. Mas como estão chegando a essa conclusão?
O alto endividamento das pessoas e das famílias é uma realidade e, simplesmente, ninguém anda preocupado. Virou moda. Virou algo comum alguém dizer que está devendo e que simplesmente não paga. E qual a razão? Simplesmente, muitos não possuem mesmo condições de pagar, devido aos juros exorbitantes.
Mas o contexto não é outro? E onde andam os valores éticos e morais das pessoas? Foram para o espaço? Enquanto procuram alguma forma de se livrar das dívidas, muitos até resolvem ir embora. Mudam de cidade, mas não pagam as dívidas. E a que atribuem isso? Ao elevado custo de vida.
E tem mais: as dívidas pessoais já estão encarecendo até mesmo os custos com o setor de saúde? O diabo é quem duvida. Eis a realidade do Brasil. E o problema não é apenas das pessoas e das famílias brasileiras. O endividamento também começa a tomar conta das empresas. Mas por que tratar destes temas, nobre escritor?
A imprensa anda recheada de notícias sobre pessoas e empresas endividadas. Olha só algumas das manchetes: “Empresa de energia pede recuperação judicial dois meses após dizer que faturaria R$ 1 bi este ano”. A Thopen Energy revelou “quadro agudo” de falta de liquidez e dívidas de R$ 4,5 bilhões com credores à Justiça do Rio de Janeiro. Procurada, a empresa afirma que os compromissos com clientes e colaboradores seguem inalterados.
A matéria é de Jenne Andrade. E diz mais: no mesmo dia em que a Casas Bahia pediu recuperação judicial, a empresa de energia renovável Thopen Energy também sucumbiu ao peso das dívidas, de R$ 4,5 bilhões. A empresa já havia surpreendido o mercado no fim do mês passado ao pedir proteção judicial contra credores, em uma espécie de “pré-recuperação judicial”.
Em petição à 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, a empresa relatou um “quadro agudo de escassez de liquidez” devido a fatores de mercado e a “decisões estratégicas” de antigos controladores. Moço, não tem notícias boas e coisas boas para escrever? Eis a realidade. Quem ganha 500, 1.000 ou até 2.000 reais que se contente com o que ganha. Não existe setor mais lucrativo no Brasil do que os bancos e, agora, os bancos digitais.
Mas não é bom todos agora terem acesso a cartões? Aí é que surgiram todos os problemas? Quando as famílias brasileiras começaram a parcelar água, luz, gás, gasolina e até mesmo internet nos cartões de crédito, tudo começou a desandar. É dívida para todo lado, e quanto mais liberam crédito, pior fica e ficará. E quem vai pagar essa conta toda? Todos sabem. É isso mesmo que acabaste de pensar: os mais simples e menos favorecidos da sociedade.
O povo costuma dizer que rico deve porque sabe que somente paga o que imagina que deve pagar? Também não é assim. Muita gente de bem está passando perrengue e com as mãos na cabeça, sem saber mais o que fazer. Tem gente mudando de telefone e chip toda semana? Certo mesmo é que, do jeito que está, pior ficará. E o que isso tudo tem a ver com as eleições de 26? Isso também é o que você acabou de pensar. Só que aí são outros quinhentos.
Tem gente tão esperta que nem mais se preocupa com suas eleições ou reeleições? Afinal, não sabem o que os endividados precisam — 90% atualmente da população? Mas é crime? Quem disse a você que não é? Já lhe falaram de expressões jurídicas que afirmam que o direito somente funciona com provas?
A principal máxima jurídica que expressa essa ideia é o brocardo latino Quod non est in actis, non est in mundo, traduzido como “o que não está nos autos não está no mundo”. Muita gente culpa a Justiça por não ser justa. No mundo existem apenas corruptos? Corruptores? E aqueles fazem de sua cidadania mera mercadoria de troca?
Mín. 24° Máx. 37°