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Editorial FAVAS CONTADAS

Gafe eleitoral

Carlos Rubem 

23/08/2026 às 07h43
Por: Arthur Feitosa Fonte: Arthur Feitosa
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Gafe eleitoral

Em 1976, passei a estudar o Curso Científico no Colégio Lourenço Filho, em Fortaleza. Com conterrâneos, morávamos numa república situada na rua Mozart Pinto, n° 333, bairro Monte Castelo. Havia nos arrabaldes uma outra, apenas de mulheres.

Sempre fui trecheiro. Por lá frequentava. Meninas brincalhonas. Fiquei enrabichado por uma catarinense, cujo nome não me lembro. Lourinha bonita, muito sapeca, afogueada. O affair evoluiu bem, se bem que um chato apareceu querendo abrir concorrência afetiva. 

A garota era meio limitada culturalmente falando. Um belo dia, quando soube, por mim, qual o estado de onde eu era natural, fez-me uma idiota indagação:

— O Piauí fica na Amazônia?

A partir daquela noite abdiquei de cortejá-la. Fiquei decepcionado, embora não tenha lhe feito nenhuma depreciação.

Estamos em plena campanha política. Veteranos e novatos candidatos, a diversos cargos eletivos se apresentam ao escrutínio popular. Utilizam-se das redes sociais para divulgar suas plataformas recheadas de boas intenções, tornarem-se conhecidos. Levantam elogiáveis temas de interesse público e outros bastante questionáveis, ridículos até. São assessorados por equipes de comunicadores, nem sempre eficientes.

Neste contexto, o novel postulante a Deputado Estadual, Vinícius Dias, ao ensejo da efeméride comemorativa — 184 anos — da emancipação política da Princesa do Iguaraçu, havida no dia 14 do fluente mês (2026), gravou um vídeo no qual afirma ter sido Parnaíba Capital do Piauí. Patente equívoco.

Claro que cada um de nós podemos, por razões variadas, cometer derrapadas. Tal desinformação poderia ter sido filtrada pelos seus marqueteiros. Mas tudo se dá de forma avexada.

Fiquei corado de vergonha, confesso. Médico, com boa formação educacional, decerto, o autor dessa pérola não deixa de ter mexido com a alma dessas duas urbes: Oeiras e Parnaíba. A primeira, por ter deixado de ser a cabeça da então Província (1852), impingindo-a secular processo de decadência e, a outra, por mais que tenha sido, à época, decantados os seus méritos, foi preterida nos debates, não recebeu tal predicamento.

Né de Sousa, personagem central do livro Vaqueiro e Visconde, biografia romanceada do Visconde da Paraíba, da lavra de José Expedito Rêgo, em suas elucubrações senis, acerca da possibilidade da mudança da sede do governo de Oeiras para a Chapada do Corisco (Teresina), especulava que José Antônio Saraiva era um “fedelho de vinte e tantos anos, vaidoso, queria fazer história, desejava ser fundador de cidades. Tinha o poder nas mãos e Né de Sousa conhecia muito bem o que significava ter o poder.”

A vacilante afirmação em apreço estremeceu os restos mortais de dois vultos históricos: Manoel de Sousa Martins — Visconde da Paraíba —, oeirense de quatro costados e o potentado Simplício Dias da Silva, parnaibano, acredito.

Cautela aos fatos é recomendável!

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