
Jesus, estando com seus discípulos, dá a eles o poder de abrir e fechar as portas do Reino dos Céus. Todo e qualquer poder cristão é dado para servir, para dar vida ao povo.
Vatican News - Josenildo *Melo
Nesta liturgia do XXI Domingo do Tempo Comum, reflete-se sobre o tema do poder. De acordo com a leitura do profeta Isaías, aquele que usa o poder em benefício próprio e deixa o povo passar necessidades deve ser destituído, pois não honra a confiança nele depositada por Deus. É o que se entende com a deposição de Sobna, administrador do rei de Jerusalém, que deixa o povo na miséria e constrói para si um túmulo de alto luxo. Em seu lugar, é empossado Eliacim, investido de poderes para abrir e fechar a Casa de Davi, ou seja, para que todos tenham vida.
Do mesmo modo, Jesus, estando com seus discípulos, dá a eles o poder de abrir e fechar as portas do Reino dos Céus. Todo e qualquer poder cristão é dado para servir, para dar vida ao povo. Mas Jesus só entrega esse poder aos apóstolos depois de ser identificado por eles como Messias, como aquele que tem a missão de redimir. Portanto, ter poder na Igreja, no mundo cristão, significa identificar-se com a missão de Jesus: daquele que lavou os pés de seus discípulos; daquele que disse ter vindo para servir e não para ser servido; daquele que não tinha onde reclinar a cabeça.
O hino de louvor colocado por Paulo em sua Carta aos Romanos nos fala da misericórdia de Deus, que supera nosso conhecimento e nossa justiça, sempre nos servindo, sejamos cristãos ou não. Dentro da perspectiva cristã, o poder deve acabar com o egocentrismo e com a imaturidade, despertando na pessoa a generosidade, o esquecimento de si e a radical entrega à causa da vida.
Neste tempo, quando, no Brasil, nos preparamos para as próximas eleições, reflitamos sobre nosso poder de voto. Também ele deverá se fazer cumprir como serviço à vida. Vivemos em um país democrático e temos esse poder para exercê-lo com dignidade cristã, sendo temente a Deus e reconhecendo que o poder vem Dele para que seja concretizado em favor de seus filhos, e não em favor de uma ideologia, de um partido ou de um grupo de pessoas. Votar deverá ser não apenas o exercício de um poder democrático, mas um ato de religião, um ato de fé na Vida.
Josenildo Nascimento Melo é Vaticanista - Jornalista *especializado em Vaticano/Santa Sé/Igreja Católica
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