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ESQUERDISMO: quando a ideologia substitui a coerência

A polarização política transformou a lógica em conveniência e fez dos “dois pesos e duas medidas” uma marca do debate público brasileiro

14/07/2026 às 10h50 Atualizada em 14/07/2026 às 11h50
Por: Douglas Ferreira
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Quando a ideologia idiotiza - Foto: Reprodução
Quando a ideologia idiotiza - Foto: Reprodução

Toda vez que assisto a um discurso recente do deputado Lindbergh Farias, a impressão que fica é a de que a coerência deixou de ser um requisito básico da política. O problema não é apenas o tom inflamado ou a retórica agressiva. É a aparente incapacidade de aplicar aos próprios aliados os mesmos critérios morais e jurídicos que exige dos adversários.

Essa seletividade não parece ser um fenômeno isolado. Para muitos brasileiros, ela se tornou uma característica recorrente de parte da militância ideológica. O que é tratado como escândalo quando praticado pela direita passa a ser relativizado ou simplesmente ignorado quando envolve a esquerda.

Essa percepção dialoga com uma tese defendida pelo psiquiatra forense americano Dr. Lyle H. Rossiter, formado pela Universidade de Chicago. Em seu livro "The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness" ("A Mente Esquerdista: As Causas Psicológicas da Loucura Política"), Rossiter sustenta que determinados padrões de pensamento presentes em setores da esquerda moderna favorecem uma visão emocional e ideológica da realidade, na qual a identidade do agente importa mais do que os fatos. Trata-se de uma tese do autor, que é controversa e não representa consenso na comunidade científica, mas que continua sendo frequentemente debatida por críticos do progressismo.

Independentemente de se concordar ou não com Rossiter, é difícil ignorar situações que alimentam essa percepção.

Lula, durante sua prisão, recebeu inúmeras visitas de políticos - fala-se em 572 -, manteve articulações partidárias e enviou diversas cartas públicas - cerca de 22 missivas. Tudo isso ocorreu com autorização judicial. Hoje, Jair Bolsonaro enfrenta restrições significativamente maiores, inclusive quanto ao contato com familiares em determinadas circunstâncias, após a divulgação de uma carta lida por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

Os defensores dessas decisões afirmam que os processos são distintos e justificam tratamentos diferentes. Já os críticos enxergam uma evidente assimetria na aplicação das medidas judiciais.

É justamente dessa percepção que nasce o discurso de perseguição política. Não porque todos concordem com Bolsonaro, mas porque muitos passam a questionar se a régua utilizada pelo sistema é realmente a mesma para todos.

O problema da política brasileira talvez não seja apenas a radicalização. É a perda da coerência. Quando a ideologia passa a determinar o que é certo ou errado conforme o autor do ato, a lógica cede lugar à conveniência.

Nesse ambiente, a objetividade desaparece. O adversário nunca tem razão, o aliado nunca erra, e os mesmos fatos recebem interpretações completamente opostas conforme a cor partidária de quem os pratica.

Essa talvez seja a maior doença da política contemporânea: não uma enfermidade clínica, mas uma incapacidade de aplicar princípios universais de forma consistente. E quando a coerência deixa de ser um valor, a democracia perde uma de suas bases mais importantes.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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