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Colômbia vira à direita e impõe mais uma derrota ao ciclo da esquerda na América do Sul

Vitória de Abelardo De la Espriella encerra o governo de Gustavo Petro e recoloca a Colômbia no campo dos governos conservadores da região, em uma mudança com potencial de repercussão continental

21/06/2026 às 20h07 Atualizada em 22/06/2026 às 19h15
Por: Douglas Ferreira
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Colômbia virou à direita com Abelardo De la Espriella - Foto: Reprodução
Colômbia virou à direita com Abelardo De la Espriella - Foto: Reprodução

A Colômbia decidiu mudar de rumo. E mudou de forma clara.

Com a vitória do advogado e empresário Abelardo De la Espriella no segundo turno presidencial, os colombianos encerram a experiência do governo de Gustavo Petro e promovem uma guinada política que pode provocar efeitos muito além das fronteiras do país.

A disputa foi apertada, polarizada e marcada por fortes debates sobre segurança pública, economia e o futuro institucional da Colômbia. No fim das contas, prevaleceu o discurso conservador de direita, baseado no endurecimento do combate ao crime, na redução do tamanho do Estado e na retomada de uma agenda econômica mais liberal.

A eleição representa mais um capítulo do redesenho político da América do Sul.

Durante as últimas décadas, a esquerda conquistou espaço em praticamente todo o continente, impulsionada por lideranças e movimentos políticos alinhados ao chamado Foro de São Paulo. Em diferentes momentos, países como Brasil, Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela e a própria Colômbia experimentaram governos identificados com esse campo político.

Agora, porém, o cenário começa a apresentar mudanças significativas.

Nos últimos anos, diversos países passaram por alternâncias de poder, permitindo o crescimento de lideranças conservadoras e de direita. A vitória de De la Espriella é vista por muitos analistas como mais um sinal desse movimento regional de reequilíbrio político.

A campanha do novo presidente concentrou-se principalmente em dois temas que mobilizam fortemente a sociedade colombiana: segurança e crescimento econômico.

A promessa de enfrentar com mais rigor o crime organizado, fortalecer as forças de segurança e revisar políticas implementadas durante o governo Petro encontrou eco em uma população preocupada com o aumento da violência em diversas regiões do país.

Ao mesmo tempo, De la Espriella defendeu a ampliação da atividade petrolífera, a redução da burocracia estatal e medidas voltadas para estimular investimentos privados.

O resultado também possui forte impacto geopolítico.

A Colômbia é um dos países mais estratégicos da América Latina, tanto por sua posição geográfica quanto pela sua relevância econômica e diplomática. Uma mudança de orientação política em Bogotá inevitavelmente produz reflexos em debates regionais sobre segurança, integração econômica e relações internacionais.

Agora, todas as atenções se voltam para o período de transição.

A partir de agosto, Abelardo De la Espriella assumirá uma Colômbia dividida politicamente, pressionada por desafios econômicos e ainda convivendo com problemas históricos ligados ao narcotráfico, grupos armados e violência urbana.

Mas uma coisa já parece certa: a eleição colombiana reforça a percepção de que o mapa político sul-americano continua em transformação e que nenhuma força política pode considerar permanentes as conquistas obtidas nas últimas décadas.

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