
A Colômbia decidiu mudar de rumo. E mudou de forma clara.
Com a vitória do advogado e empresário Abelardo De la Espriella no segundo turno presidencial, os colombianos encerram a experiência do governo de Gustavo Petro e promovem uma guinada política que pode provocar efeitos muito além das fronteiras do país.
A disputa foi apertada, polarizada e marcada por fortes debates sobre segurança pública, economia e o futuro institucional da Colômbia. No fim das contas, prevaleceu o discurso conservador de direita, baseado no endurecimento do combate ao crime, na redução do tamanho do Estado e na retomada de uma agenda econômica mais liberal.
A eleição representa mais um capítulo do redesenho político da América do Sul.
Durante as últimas décadas, a esquerda conquistou espaço em praticamente todo o continente, impulsionada por lideranças e movimentos políticos alinhados ao chamado Foro de São Paulo. Em diferentes momentos, países como Brasil, Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela e a própria Colômbia experimentaram governos identificados com esse campo político.
Agora, porém, o cenário começa a apresentar mudanças significativas.
Nos últimos anos, diversos países passaram por alternâncias de poder, permitindo o crescimento de lideranças conservadoras e de direita. A vitória de De la Espriella é vista por muitos analistas como mais um sinal desse movimento regional de reequilíbrio político.
A campanha do novo presidente concentrou-se principalmente em dois temas que mobilizam fortemente a sociedade colombiana: segurança e crescimento econômico.
A promessa de enfrentar com mais rigor o crime organizado, fortalecer as forças de segurança e revisar políticas implementadas durante o governo Petro encontrou eco em uma população preocupada com o aumento da violência em diversas regiões do país.
Ao mesmo tempo, De la Espriella defendeu a ampliação da atividade petrolífera, a redução da burocracia estatal e medidas voltadas para estimular investimentos privados.
O resultado também possui forte impacto geopolítico.
A Colômbia é um dos países mais estratégicos da América Latina, tanto por sua posição geográfica quanto pela sua relevância econômica e diplomática. Uma mudança de orientação política em Bogotá inevitavelmente produz reflexos em debates regionais sobre segurança, integração econômica e relações internacionais.
Agora, todas as atenções se voltam para o período de transição.
A partir de agosto, Abelardo De la Espriella assumirá uma Colômbia dividida politicamente, pressionada por desafios econômicos e ainda convivendo com problemas históricos ligados ao narcotráfico, grupos armados e violência urbana.
Mas uma coisa já parece certa: a eleição colombiana reforça a percepção de que o mapa político sul-americano continua em transformação e que nenhuma força política pode considerar permanentes as conquistas obtidas nas últimas décadas.
ITAMARATY Terremoto na Venezuela: tragédia deixa centenas de vítimas e atinge brasileiros
UMA ONDA AZUL América Latina desavermelha? Keiko Fujimori vence no Peru e amplia avanço da direita na região
CARACAS Terremoto na Venezuela: tragédia pode estar entre as maiores da história recente do país Mín. 22° Máx. 34°