
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales voltou ao centro de uma grave crise política e judicial. O Ministério Público boliviano decretou sua prisão no âmbito de uma investigação que apura os bloqueios de estradas que paralisaram o país por cerca de 50 dias entre maio e junho deste ano.
Segundo as autoridades bolivianas, Morales é investigado por uma série de crimes, entre eles terrorismo, levante armado, atentado contra a segurança dos meios de transporte e dos serviços públicos, instigação pública ao crime e associação criminosa.
A decisão foi expedida pela Promotoria de Santa Cruz após denúncia apresentada pelo Comitê Pró-Santa Cruz e pelo Ministério do Governo da Bolívia. Os investigadores afirmam que a presença do ex-presidente é considerada indispensável para esclarecer quem teria planejado, organizado e financiado os protestos que provocaram desabastecimento, prejuízos econômicos e a paralisação do transporte em diversas regiões do país.
Além de Evo Morales, outros dirigentes sindicais e movimentos sociais também são investigados. Alguns deles já se encontram presos preventivamente.
O governo boliviano sustenta que as manifestações extrapolaram o direito ao protesto e passaram a integrar uma estratégia de desestabilização institucional para pressionar pela queda do atual governo.
Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019 e mantém uma histórica aliança política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reagiu pelas redes sociais afirmando que não será intimidado pela decisão judicial.
O caso amplia a tensão política no país vizinho e pode ter repercussões no cenário latino-americano, diante da relevância de Evo Morales entre os principais líderes da esquerda da região.
QUARTA-FEIRA/MEMÓRIA Santos Marta, Maria e Lázaro
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