
A Colômbia vive neste domingo uma daquelas encruzilhadas políticas capazes de redefinir seu futuro e influenciar os rumos da América do Sul. De um lado, o advogado Abelardo de la Espriella, representante da direita e apoiado por Donald Trump. Do outro, o senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro e defensor da continuidade do projeto da esquerda colombiana.
O segundo turno acontece sob forte esquema de segurança e em meio à pior onda de violência registrada no país na última década. Mais de 400 mil agentes foram mobilizados para garantir a realização da votação.
No primeiro turno, Espriella surpreendeu as pesquisas e terminou na liderança, consolidando-se como a principal aposta da direita para retomar o comando do país. Já Cepeda chega à disputa final defendendo programas sociais, valorização do salário mínimo e a manutenção das negociações de paz iniciadas pelo governo Petro.
“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella.
É esse o discurso que emplaca junto ao povo sofrido e vítima do narcotráfico na Colômbia.
Enquanto o candidato conservador aposta em uma política de tolerância zero contra o crime organizado, com propostas de endurecimento das leis e construção de megapresídios, o candidato da esquerda sustenta que a solução passa pelo fortalecimento das políticas públicas e pela continuidade dos acordos de paz.
A disputa ultrapassou as fronteiras colombianas. O apoio de Trump a Espriella e o envolvimento direto de Petro na campanha de Cepeda transformaram a eleição em um embate simbólico entre dois projetos ideológicos que disputam espaço em toda a América Latina.
Mais do que escolher um presidente, os colombianos decidem neste domingo os rumos da economia, da segurança pública, da política energética, das relações com os Estados Unidos e do futuro das negociações com grupos armados.
O resultado deve ser conhecido ainda neste domingo e poderá consolidar a ascensão da direita no continente ou garantir a sobrevivência de um dos principais projetos de esquerda da região.
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