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Copom corta juros para 14,25%, mas gastança do governo continua pressionando inflação e impede queda maior da Selic

Banco Central reduz taxa básica em 0,25 ponto percentual, mas inflação persistente, gastos públicos elevados e incertezas econômicas mantêm os juros em patamar historicamente alto

18/06/2026 às 04h14
Por: Douglas Ferreira
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A taxa Selic ainda continuam num patamar elevado de 14,25% - Foto: Reprodução
A taxa Selic ainda continuam num patamar elevado de 14,25% - Foto: Reprodução

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e contou com o voto dos sete integrantes do colegiado, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O corte mantém o ciclo de flexibilização monetária iniciado após um longo período de juros elevados, mas também evidencia uma realidade difícil de ser ignorada: os juros poderiam estar muito mais baixos se o cenário fiscal brasileiro fosse mais sólido.

Na prática, o Banco Central continua travando uma batalha permanente contra a inflação. E boa parte dessa pressão inflacionária decorre justamente da expansão dos gastos públicos. Desde o início do terceiro mandato do presidente Lula, economistas, instituições financeiras e agentes do mercado têm alertado para o aumento contínuo das despesas governamentais. Quando o governo gasta mais do que arrecada, aumenta a necessidade de endividamento e gera desconfiança sobre a capacidade futura de equilibrar as contas públicas.

O resultado aparece diretamente na inflação. Com mais dinheiro circulando na economia e sem um ajuste fiscal consistente, os preços tendem a permanecer pressionados. Diante desse cenário, o Banco Central é obrigado a manter juros elevados por mais tempo para evitar que a inflação saia ainda mais do controle. Em outras palavras: quanto maior a percepção de descontrole fiscal, menor é o espaço para cortes mais agressivos na Selic.

O próprio comunicado do Copom demonstra essa preocupação. O Banco Central reconheceu que a inflação continua acima da meta e que os indicadores mais recentes mostram aceleração tanto dos índices cheios quanto dos núcleos inflacionários. Traduzindo para a linguagem do dia a dia: os preços continuam subindo mais do que o desejado.

Além das questões internas, o Copom também destacou o ambiente internacional. O acordo de paz no Oriente Médio ainda gera incertezas sobre seus desdobramentos econômicos. O preço do petróleo, das commodities e a volatilidade dos mercados internacionais continuam sendo fatores observados atentamente pelos bancos centrais do mundo inteiro. Países emergentes, como o Brasil, acabam sofrendo impactos ainda maiores dessas turbulências.

Apesar disso, a economia brasileira segue demonstrando resiliência. O mercado de trabalho continua relativamente aquecido e diversos setores apresentaram crescimento no primeiro trimestre. Esse desempenho, embora positivo sob alguns aspectos, também contribui para manter a demanda elevada e dificulta uma desaceleração mais rápida da inflação.

A decisão do Copom deixa clara uma mensagem: os juros estão caindo, mas não na velocidade que parte do governo gostaria. A razão principal é simples. O Banco Central entende que ainda não existem garantias suficientes de que a inflação convergirá de forma sustentável para a meta. E um dos fatores que mais pesam nessa avaliação é justamente a política fiscal do governo federal.

As projeções do mercado refletem essa preocupação. Analistas estimam que a Selic continuará acima de dois dígitos até pelo menos o fim do atual governo. As previsões apontam juros de 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,5% em 2029. Ou seja, mesmo com cortes graduais, o mercado não acredita em uma queda rápida dos juros enquanto persistirem dúvidas sobre o equilíbrio das contas públicas.

No fim das contas, a redução para 14,25% representa uma boa notícia para quem depende de crédito, financiamento e investimentos produtivos. Porém, também funciona como um lembrete de que juros altos não são uma causa isolada. Eles são consequência de uma combinação de fatores, entre eles inflação resistente, incertezas externas e, principalmente, a dificuldade histórica do Estado brasileiro em controlar seus gastos. Enquanto esse problema não for enfrentado de maneira consistente, a queda dos juros continuará acontecendo em ritmo lento e bem abaixo do desejado por consumidores, empresários e investidores.

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