Sexta, 24 de Julho de 2026
34°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Economia ENDIVIDAMENTO

Governo promete socorro, mas empresários alertam: crédito caro pode agravar crise provocada pelo tarifaço

Setor produtivo aprova a estrutura do Plano Brasil Soberano, porém critica juros de até 17,4% ao ano e questiona se o governo está oferecendo ajuda ou criando uma nova onda de endividamento

24/07/2026 às 09h45
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
O “socorro” terá juros que variam entre 8,1% e 17,4% ao ano - Foto: Reprodução
O “socorro” terá juros que variam entre 8,1% e 17,4% ao ano - Foto: Reprodução

O governo Lula tenta apresentar o Plano Brasil Soberano 2026 como a principal resposta aos prejuízos causados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A intenção é oferecer crédito às empresas afetadas, preservar empregos e reduzir os impactos sobre a economia. O problema é que o chamado "socorro" pode chegar com um preço considerado alto demais por quem mais precisa dele.

Empresários ouvidos pela CNN afirmam que o desenho do programa é positivo, mas fazem uma ressalva que pode comprometer toda a eficácia da iniciativa: o custo do dinheiro.

Pelas estimativas apresentadas pelo próprio setor produtivo, as operações indiretas, realizadas por meio de bancos credenciados, terão juros que variam entre 8,1% e 17,4% ao ano. Na prática, trata-se de um crédito que pode aliviar o caixa no curto prazo, mas aumentar significativamente o endividamento das empresas no médio e longo prazo.

Segundo os empresários, a taxa final não corresponde apenas aos juros básicos. Ela é formada pelo custo financeiro dos fundos utilizados, pela remuneração do BNDES, fixada em 1,5% ao ano, e pelo spread cobrado pelos bancos repassadores, que pode chegar a 5% ao ano.

A principal crítica do setor produtivo é simples: empresas que já perderam competitividade por causa das tarifas americanas agora poderão enfrentar um novo obstáculo, o alto custo do financiamento necessário para continuar produzindo.

A discussão vai além dos números. Ela coloca em debate o modelo de resposta adotado pelo governo. Em vez de medidas como redução da carga tributária, incentivos fiscais temporários ou subsídios para preservar a competitividade das exportações, a principal alternativa apresentada continua sendo o crédito.

É justamente esse ponto que desperta preocupação. Financiar empresas em dificuldade pode ser necessário, mas fazê-lo a taxas elevadas significa transformar uma crise comercial em um problema financeiro.

A situação se torna ainda mais delicada porque parte das empresas afetadas já enfrenta redução de receitas, queda nas exportações e aumento dos custos de produção. Assumir novos empréstimos nesse cenário pode representar apenas o adiamento de dificuldades maiores.

No fim das contas, permanece a pergunta que o setor produtivo faz desde o anúncio do plano: o governo está oferecendo um verdadeiro socorro ou apenas criando uma nova rodada de endividamento para empresas que já foram atingidas pelo tarifaço?

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários