
Santa Catarina virou um daqueles casos que chamam a atenção de quem acompanha o mapa econômico e social do Brasil. É um Estado que cresce, atrai gente de outras regiões, mantém uma das menores taxas de desemprego do país e aparece entre os territórios brasileiros com os menores índices de homicídios. Mas afinal: o que explica esse desempenho?
A resposta não cabe em uma única explicação. Há uma combinação de fatores históricos, econômicos, culturais, demográficos e administrativos. E há também uma leitura política feita por parte dos próprios catarinenses.
É comum ouvir no Estado uma resposta carregada de identidade política: “Santa Catarina nunca foi administrada pela esquerda”. A frase expressa uma percepção de parcela da população, especialmente entre eleitores conservadores, de que o perfil político do Estado teria relação com seus indicadores econômicos e sociais. Essa interpretação, porém, é uma opinião política e não permite, por si só, estabelecer uma relação de causa e efeito.
O que os números permitem afirmar é que Santa Catarina apresenta indicadores que se destacam no cenário nacional.
Dados do IBGE mostram que Santa Catarina terminou 2025 com taxa anual de desemprego de 2,3%, uma das menores do Brasil. O Estado também registrou taxa de subutilização de apenas 4,6% e informalidade de 26,3%. O nível de ocupação chegou a 66,2%, também entre os maiores do país.
É um mercado de trabalho que ajuda a explicar por que o Estado se tornou um polo de atração populacional.
E aqui há um dado especialmente significativo.
Segundo o Censo 2022, Santa Catarina apresentou o maior saldo migratório e a maior taxa líquida de migração do Brasil no período analisado. Foram 354.350 pessoas de saldo positivo, equivalentes a 4,66% da população estadual.
Ou seja: não é apenas o catarinense que permanece. O Estado também está atraindo brasileiros de outras partes do país.
Santa Catarina também apresenta indicadores de violência letal bastante baixos.
O Atlas da Violência registra que, em 2023, Santa Catarina tinha uma das menores taxas de homicídios de jovens do país, com 14,3 mortes por 100 mil jovens, atrás apenas de São Paulo nesse indicador específico.
O Atlas também já havia registrado que Santa Catarina atingiu, em 2022, uma taxa estimada de homicídios inferior a 10 por 100 mil habitantes, com 142 dos 295 municípios sem nenhum homicídio naquele ano.
Portanto, a fama de Estado seguro não surgiu do nada. Ela encontra respaldo em diferentes indicadores oficiais — embora segurança pública seja um fenômeno complexo e não possa ser explicado por uma única variável.
Entra, evidentemente, no debate público. Mas é preciso separar percepção política de evidência estatística.
Santa Catarina possui uma tradição eleitoral mais identificada com a direita e o conservadorismo, especialmente em eleições nacionais recentes. Isso ajuda a explicar a identidade política do Estado, mas não permite concluir, isoladamente, que o desempenho econômico ou os índices de segurança sejam consequência direta dessa orientação.
Há uma série de outros elementos envolvidos: estrutura industrial diversificada, agronegócio, cooperativismo, empreendedorismo, urbanização, formação histórica, infraestrutura, mercado de trabalho, características demográficas e políticas públicas estaduais e municipais.
É justamente essa combinação que torna o caso catarinense interessante.
E é nesse ambiente que aparece a nova pesquisa do Paraná Pesquisas, realizada para o Diário do Poder.
O levantamento, feito entre 20 e 22 de setembro de 2026, ouviu 1.384 eleitores em 52 municípios. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, com 95% de confiança. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número SC-00523/2026.
Na avaliação direta do governo, 78% dos entrevistados disseram aprovar a administração de Jorginho Mello, enquanto 19,4% afirmaram desaprová-la.
Na avaliação qualitativa da gestão, 64,7% classificaram o governo como ótimo ou bom: 26,7% disseram “ótimo” e 38% “bom”. Outros 22,1% consideraram a administração regular, enquanto 11,8% avaliaram como ruim ou péssima.
Na intenção de voto estimulada para o Governo do Estado, Jorginho Mello aparece com 58,8%, seguido por João Rodrigues, com 16,5%, e Gelson Merisio, com 11,3%. Os demais nomes apresentados ficaram abaixo de 1,2%.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, Jorginho registra 42,5%; João Rodrigues aparece com 10% e Gelson Merisio com 6,2%. O percentual de entrevistados que não soube ou não quis responder foi de 34,6%.
No Senado, o cenário aparece mais aberto. Na pesquisa estimulada, Carol de Toni soma 42,3% das menções, Carlos Bolsonaro 36% e Esperidião Amin 34,2%. Como cada entrevistado podia indicar até dois nomes, os percentuais não representam uma soma de 100%.
No fim das contas, talvez seja justamente esse o ponto que merece atenção: Santa Catarina não apresenta um único indicador excepcional, mas um conjunto de indicadores que ajudam a explicar sua capacidade de atrair pessoas e gerar atividade econômica.
A política faz parte da equação, mas não é a equação inteira.
O Estado tem desemprego baixo, elevada ocupação, forte atração migratória e indicadores de violência letal relativamente baixos. E, agora, a pesquisa do Paraná Pesquisas acrescenta outro dado ao cenário: 78% de aprovação ao governo Jorginho Mello.
A frase que se ouve entre os catarinenses, “aqui nunca fomos administrados pela esquerda”, pode ser lida como expressão de uma identidade política. Os números, por sua vez, contam uma história mais ampla: a de um Estado que há décadas reúne características econômicas, sociais, culturais e políticas que o diferenciam de boa parte do país.
E talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira pergunta: o que Santa Catarina está fazendo, ou deixou de fazer, que outros Estados ainda não conseguiram reproduzir?
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