
O Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira 29 a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, em um resultado que surpreendeu o governo e marcou um episódio raro na história recente do país. Foram 34 votos favoráveis e 42 contrários, abaixo dos 41 necessários para aprovação. A decisão representa a primeira rejeição de um indicado ao STF desde a Constituição de 1988 e quebra um padrão de décadas de aval automático do Senado.
A derrota expõe um ambiente político mais tenso do que o esperado. Apesar de Messias ter sido aprovado mais cedo na Comissão de Constituição e Justiça, a resistência cresceu no plenário, onde pesaram críticas da oposição e divisões internas. Durante a sabatina, o advogado geral da União foi pressionado sobre temas como liberdade de expressão e atuação do Supremo, tentando adotar um discurso de equilíbrio entre os poderes.
Nos bastidores, a relação entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado também influenciou o desfecho. O senador Davi Alcolumbre defendia outro nome para a vaga e demonstrou incômodo com a forma como a indicação foi conduzida. O governo demorou meses para formalizar o envio ao Senado, o que gerou ruídos e até ameaças de pautas desfavoráveis ao Executivo. Mesmo com tentativas de articulação, o apoio não se consolidou.
Além das disputas políticas, o histórico recente de Messias também entrou no debate. À frente da AGU, ele foi associado à criação de um órgão voltado ao combate à desinformação, alvo de críticas de juristas que apontam riscos à liberdade de expressão. Agora, com a rejeição, o presidente Lula terá de decidir se insiste no nome ou apresenta um novo indicado, que também precisará enfrentar um Senado mais atento e menos previsível.
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