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Do plenário ao constrangimento: gesto obsceno escancara crise no debate político; vídeo

Vereadora reage com gesto sexual durante sessão em Ubajara, evita o debate e transforma discussão pública em espetáculo de baixo nível

23/04/2026 às 07h43 Atualizada em 23/04/2026 às 08h48
Por: Douglas Ferreira
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Vereadora Susenilda Costa protagonizou a cena durante a fala do vereador Marcondes - Foto: Reprodução
Vereadora Susenilda Costa protagonizou a cena durante a fala do vereador Marcondes - Foto: Reprodução

O que deveria ser mais uma discussão administrativa na Câmara Municipal de Ubajara acabou ganhando contornos de constrangimento público e degradação do debate político. Durante uma sessão que tratava da mudança de horário das atividades legislativas, a vereadora Susenilda Costa (PDT) protagonizou uma cena que rapidamente ultrapassou os limites do plenário e tomou as redes sociais.

Enquanto o vereador Marcondes questionava, de forma legítima, a utilidade de sessões no período noturno - ao indagar “quantas coisas a gente tem para fazer à noite?” - a parlamentar respondeu não com argumento, mas com um gesto obsceno, simulando ato sexual com a mão. A reação, seguida de risos, não apenas interrompeu o tom do debate, como o rebaixou.

O gesto, claro em sua intenção, buscava ridicularizar a fala do colega, transformando uma discussão institucional em deboche. Não houve tentativa de contra-argumentação, de enfrentamento de ideias ou de elevação do debate. Houve, sim, a substituição da política pelo escárnio.

Diante da repercussão, que rapidamente ganhou alcance nas redes sociais, a situação passou a ser mais do que um episódio isolado. Tornou-se sintoma. Sintoma de um ambiente político onde, em vez de argumentos, recorre-se a gestos; onde, em vez de responsabilidade, opta-se pela viralização.

A vereadora, ao reagir com naturalidade e riso no momento, sinaliza que não percebeu, ou não considerou relevante, o peso institucional do cargo que ocupa. E é justamente aí que reside o problema. Não se trata apenas de um gesto, mas do que ele representa: a banalização do espaço público e o esvaziamento do debate político.

A repercussão do vídeo revela mais do que indignação ou curiosidade. Expõe uma sociedade cada vez mais atenta ao comportamento de seus representantes, mas também cada vez mais acostumada a episódios que deveriam ser exceção, e não regra.

No fim, fica uma questão incômoda: quando o plenário vira palco de gestos obscenos, o que sobra do papel do legislador?

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