
A proposta de criação da “Terrabras”, apoiada pelo governo do presidente Lula, surge sob o argumento de garantir soberania sobre minerais estratégicos. Na prática, porém, o plano levanta críticas duras: para analistas, o projeto pode abrir espaço para mais uma estatal inchada, sujeita a interesses políticos e distante da eficiência exigida por um setor altamente competitivo e tecnológico.
O timing também chama atenção. Em vez de estimular investimento privado em um mercado onde o Brasil ainda engatinha, o governo sinaliza maior controle estatal justamente quando o país precisa atrair capital estrangeiro. Com cerca de 20% das reservas globais de terras raras, o Brasil ainda depende de empresas internacionais para explorar esse potencial, um cenário que exige segurança jurídica, e não aumento de incertezas.
Críticos apontam que a Terrabras pode seguir o roteiro conhecido de outras estatais brasileiras: estrutura pesada, baixa eficiência e risco de uso político. A preocupação não é apenas econômica, mas institucional. Ao mesmo tempo em que regula o setor, o Estado passaria a competir com empresas privadas, criando um ambiente desigual e pouco previsível. Para investidores, esse tipo de modelo costuma significar risco maior e, na prática, menos dinheiro entrando no país.
No pano de fundo, está um debate mais profundo: desenvolvimento com abertura ou com controle. Experiências anteriores indicam que monopólios estatais raramente entregam inovação e competitividade no ritmo exigido pelo mercado global. Ao insistir nesse caminho, o Brasil corre o risco de transformar uma oportunidade histórica, impulsionada pela transição energética, em mais um capítulo de promessas ambiciosas e resultados limitados.
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