
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu que o governo Lula (PT) se preparou para enfrentar a crise de seca e incêndios, mas admite que as estratégias adotadas ficaram aquém da realidade. “O que nós estamos descobrindo agora é que [o planejado] não foi suficiente. E ter essa clareza e essa responsabilidade de não querer mascarar a realidade faz parte de uma postura republicana diante da sociedade”, afirmou a ministra.
A crise climática, que já afeta países como Peru, Bolívia, Portugal e o sul da África, também atingiu o Brasil, onde se registra a pior seca de sua história. Além disso, incêndios de grande magnitude têm devastado a Amazônia. Para Marina Silva, o mundo está despreparado para lidar com essa crise, incluindo o próprio governo brasileiro. "A humanidade tem que chegar à conclusão de que não está preparada porque não ouviu os reclames da ciência", disse a ministra.
As ações governamentais, consideradas insuficientes, geraram críticas de dentro e fora do governo e se tornaram alvo de ataques da oposição. Em resposta, o governo intensificou medidas nas últimas semanas, como o aumento de multas por incêndios florestais e a flexibilização dos repasses aos estados para o combate às queimadas. O presidente Lula também prometeu a criação da autoridade climática e de um Plano de Enfrentamento aos Riscos Climáticos Extremos.
Apesar da gravidade da crise, Marina Silva defendeu que a situação não prejudica a imagem do Brasil no cenário internacional, mas reforça a urgência da agenda ambiental. A ministra ressaltou que o país tem conseguido reduzir o desmatamento sem precisar de ajuda externa, e cobrou que países desenvolvidos façam sua parte, cumprindo os acordos financeiros estabelecidos no Acordo de Paris.
Parte dos incêndios que atingem o Brasil, segundo Marina Silva, pode ter motivação criminosa, inclusive com conotações políticas. Ela mencionou que durante uma viagem do presidente Lula à Amazônia, focos de incêndio foram registrados na volta, o que a ministra interpretou como uma afronta. Marina cobrou investigações rigorosas sobre esses incêndios criminosos.
Diante do aumento dos eventos climáticos extremos, cresce a pressão por investimentos governamentais em prevenção e adaptação. Ambientalistas alertam que 2025 pode ser um ano ainda mais desafiador que 2024, e a ministra reconhece que nenhum país está totalmente preparado para enfrentar essas crises. "É um processo dinâmico... Talvez estivéssemos [preparados] se tivéssemos começado em 1992", concluiu Marina, referindo-se à conferência Rio-92.
BRASIL Brasil - A engrenagem da escassez: como o poder se alimenta da miséria
NEM TODOS ESTÃO? Cuidando do que importa?
SELEÇÃO Seleção do IBGE segue com inscrições abertas até 9 de julho no Piauí Mín. 20° Máx. 38°