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Seca e queimadas: A devastação da Amazônia e o impacto nas famílias ribeirinhas

Em Cujubim (RO) e Humaitá (AM), agricultores como Roberto Anacleto e Ana Bilenq estão cercados pelas chamas em suas propriedades na Estação Ecológica Soldado da Borracha. O fogo, que já se estende por um raio de 10 km, impossibilita a fuga e compromete a saúde respiratória das famílias

18/09/2024 às 09h09 Atualizada em 18/09/2024 às 13h00
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Folha de S. Paulo
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Draga de garimpo, destruída em operação da PF, fica encalhada em uma praia no rio Madeira - Lalo de Almeida/Folhapress
Draga de garimpo, destruída em operação da PF, fica encalhada em uma praia no rio Madeira - Lalo de Almeida/Folhapress

A região amazônica enfrenta uma grave crise ambiental, exacerbada pela estiagem prolongada e pelas queimadas que assolam comunidades ribeirinhas, especialmente em Rondônia. A reportagem da Folha de S. Paulo fez uma imersão na amazônia e trouxe revelações impactantes. O cenário é devastador: o nível do Rio Madeira atinge marcas históricas de seca, isolando moradores e deixando lagos críticos como o Carapanatuba em situação alarmante.

Em Cujubim (RO) e Humaitá (AM), agricultores como Roberto Anacleto e Ana Bilenq estão cercados pelas chamas em suas propriedades na Estação Ecológica Soldado da Borracha. O fogo, que já se estende por um raio de 10 km, impossibilita a fuga e compromete a saúde respiratória das famílias. Enquanto isso, a descida do Rio Madeira deixa comunidades ilhadas, como a de Damião da Conceição e Edilene Alves, que enfrentam dificuldades para acessar serviços médicos e alimentos.

A seca severa tem um efeito cascata, afetando igarapés e lagos que dependem do volume do Madeira. Em dias, o acesso às comunidades pode se tornar impossível, com barqueiros alertando sobre a diminuição crítica da água. Para Damião, o desafio é urgente: seu sogro precisa de assistência médica imediata, mas todos estão ilhados pela falta de água.

Além das dificuldades de transporte, o avanço das queimadas e a degradação ambiental colocam em risco as fontes de sustento dessas comunidades, como a pesca e a agricultura. A combinação da estiagem e das queimadas cria um ciclo vicioso de destruição e necessidade, que obriga muitos a abandonarem suas terras em busca de melhores condições.

O governo do estado, apesar das promessas de ação, enfrenta críticas pela falta de medidas eficazes. A região de Amacro, que engloba Rondônia, Acre e Amazonas, se transformou em um polo de desmatamento, representando 36% do total de áreas devastadas na Amazônia Legal em 2022. A degradação florestal, somada ao fenômeno do El Niño e às mudanças climáticas, intensifica a crise, deixando um rastro de fumaça e incerteza no ar.

A situação se torna ainda mais desesperadora com relatos de que, na Esec Soldado da Borracha, os pequenos posseiros são cercados por chamas de grandes invasores que desmatam para pastagens. As famílias que permanecem na área enfrentam o sofrimento diário das queimadas e a falta de recursos, refletindo a luta pela sobrevivência em um ambiente em colapso.

Essa realidade alarmante na Amazônia exige atenção urgente, não apenas para mitigar os danos ambientais, mas para garantir a sobrevivência e os direitos das comunidades ribeirinhas, que estão na linha de frente dessa crise.

Confira agora, pelas lentes sensíveis do repórter fotográfico Lalo de Almeida/Folhapress, o nível de devastação de uma área da floresta amazônica.

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