
O horário de verão, uma estratégia que há muito tempo dividia opiniões no Brasil, voltou a ser pauta no Palácio do Planalto, desta vez impulsionado pela severa estiagem que ameaça a geração de energia elétrica no país. Ventilada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, a medida surge como uma possível solução para mitigar a pressão sobre o setor energético, diante da persistente redução dos níveis dos reservatórios.
Com a estiagem prolongada castigando diversas regiões, o Brasil enfrenta um dilema: como garantir que a energia continue fluindo sem interrupções? A resposta do governo pode estar no retorno do horário de verão, uma prática que, entre outubro e fevereiro, permitia uma hora a mais de luz natural no final do dia, reduzindo a necessidade de acender lâmpadas e utilizar outros equipamentos eletrônicos em horários de pico. Mas como essa mudança impactaria, de fato, a economia e o consumo de energia?
Alckmin, em entrevista recente, destacou que "não vai faltar energia", mas sublinhou a importância de iniciativas como o horário de verão e campanhas de conscientização para evitar desperdícios. Em sua visão, economizar energia é uma responsabilidade compartilhada, especialmente em momentos de crise hídrica. Ele também apontou que a ativação de termelétricas, já programada para outubro, será necessária para garantir a estabilidade do sistema elétrico.
A ideia do retorno do horário de verão não é nova, mas vem em um momento de tensão energética, onde se busca alívio para um setor pressionado pela seca. O objetivo é simples: maximizar o uso da luz natural, permitindo que o consumo de eletricidade seja reduzido nas primeiras horas da noite. Em termos práticos, isso poderia gerar uma economia significativa de energia, sobretudo em Estados com grande consumo industrial, como São Paulo e Minas Gerais.
O impacto da medida sobre a economia ainda está sendo estudado. O Ministério de Minas e Energia já havia sinalizado, em 2023, que o horário de verão não era uma necessidade naquele momento. Entretanto, com a mudança das condições climáticas e a previsão de estiagem prolongada até o fim de novembro, a volta dessa política começa a ser vista com outros olhos.
Se implementada, a expectativa é que o horário de verão possa gerar uma redução considerável no consumo energético durante os meses mais críticos, além de abrir espaço para discussões mais amplas sobre as fontes de energia renováveis. A energia eólica e solar, que têm crescido no Brasil, foram mencionadas por Alckmin como parte da solução de longo prazo, mas a situação atual demanda ações rápidas e eficazes.
Apesar de sua eficiência questionada em anos anteriores, o horário de verão pode ser reintroduzido como uma ferramenta emergencial para combater a escassez de energia. Para muitos, o retorno da medida é um preço pequeno a se pagar em troca de maior segurança energética durante um dos períodos mais críticos da história recente do país.
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