
Finalmente, após meses de especulações, o governador Rafael Fonteles (PT) decidiu tornar público o que já se sabia nos bastidores: o MDB está fora da chapa majoritária de 2026. A revelação foi feita ao partido segundo confirmou o senador Marcelo Castro (MDB).
Mais do que um golpe político, a decisão representa uma rasteira em Themístocles Filho, vice-governador e histórico emedebista. Até hoje, Fonteles não se deu ao trabalho de conversar diretamente com o próprio vice, principal interessado no cargo.
A decisão soa como ironia amarga para Themístocles. Conhecido pela fidelidade quase “tibetana” ao PT e ao atual governador, foi ele quem carregou Rafael Fonteles pelo interior do Piauí durante a campanha, quando o então candidato era um “ilustre desconhecido”.
Foi Thé quem alinhavou alianças, costurou apoios e deu aval político para que o petista se consolidasse. Agora, a recompensa recebida é o desprezo.
Marcelo Castro, tentando minimizar o impacto, fala em “compensações”. Mas o que compensaria a perda de um dos cargos mais estratégicos da chapa majoritária? O MDB, ao que parece, vai se conformar com o silêncio. Ficará calado, dolente, catatônico. Talvez por causa dos cargos que ainda ocupa no governo.
Mas a questão é simples: se no poder o MDB não tem poder, imagine quando perder o poder de vez.
Em declaração neste sábado (16), antes da missa pelos 173 anos de Teresina, o senador Marcelo Castro confirmou a decisão de Fonteles:
“O governador já comunicou ao MDB que o cargo de vice será ocupado pelo PT. Então, estamos certos de que a decisão está tomada: o vice não será do MDB. É claro que gostaríamos que o vice fosse do MDB, e estamos conversando com o governador para verificar quais compensações o partido terá, porque realmente estamos perdendo um dos cargos mais importantes, que é essencial na composição da chapa majoritária: o cargo de vice-governador”.
A fala do senador sacramenta aquilo que já estava desenhado: o MDB foi descartado. Resta saber se Themístocles Filho e seu partido aceitarão o papel de figurantes ou se reagirão à altura da ingratidão recebida.
Mas a verdade precisa ser dita sem floreios: o descarte de Themístocles Filho e do MDB não tem nada a ver com a eleição de 2026. O jogo é muito maior. O que está em disputa é a sucessão de Rafael Fonteles, já que o PT trabalha com a certeza da reeleição do governador. A tal “chapa pura” dá ao partido o passe livre para permanecer agarrado ao poder.
Traduzindo: o gesto do governador tem nome e sobrenome — falta de confiança no MDB. Em bom português, o velho partido do saudoso Alberto Tavares Silva foi usado como “bucha de canhão” para eleger Fonteles e o PT permanecer ao trono. Missão cumprida, descartado o aliado.
E agora? Bem... agora o MDB já não serve mais. Não é essencial, não é indispensável, não é sequer lembrado. É o clássico “muito obrigado pelos serviços prestados” — aquele bilhete que vem junto com a porta na cara.
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