
Que Lula é incorrigível, o Brasil já sabe de cor e salteado. O problema é que suas inconsequências não ficam restritas ao palanque — elas batem na porta da economia, entram sem pedir licença e sentam-se à mesa do trabalhador. O tarifaço americano é um exemplo fresco: nasceu lá no quintal de Donald Trump, mas vai morder o bolso do produtor brasileiro e, por tabela, o prato de comida do povo.
Mas então, por que diabos Lula insiste em cutucar o presidente da maior economia do Ocidente, como quem desafia o dono da festa no meio do baile? Qual a vantagem de afrontar Trump, acusá-lo de interferir nas eleições de 2026 e ainda provocar com a velha cantilena de “escantear o dólar”?
O presidente até tenta dourar a pílula: anunciou R$ 30 bilhões em crédito para pequenas empresas afetadas pelo tarifaço. É dinheiro no curto prazo, mas não resolve a ressaca no longo. É como dar guarda-chuva em dia de enchente: ajuda, mas a água já está no pescoço.
Na entrevista à BandNews FM, Lula rebateu as contas dos EUA e disse que o Brasil, na soma de bens e serviços, teve superávit de US$ 400 bilhões nos últimos 15 anos. Também não perdeu a chance de carimbar Trump de “anormal” e “complexado”. O clima entre Brasília e Washington parece mais briga de vizinho por muro do que diplomacia de alto nível.
O problema é que essa rinha pessoal pode sair caro. Mercado internacional não perdoa picuinha: abre-se espaço para retaliações comerciais, perda de confiança de investidores e isolamento político. No jogo global, bravata sem estratégia é como peixe fora d’água: morre rápido e fede longe.
Entre uma cutucada no Tio Sam e um sonho de moeda dos BRICS para enterrar o dólar, Lula parece querer escrever seu nome na história da geopolítica... mas esquece que o primeiro capítulo é garantir emprego e renda ao brasileiro. Enquanto isso, o Zé da Esquina vê o custo de vida subir, a exportação encolher e o dólar fazer o que sempre fez: mandar no preço do pão e da gasolina.
No fim das contas, o carimbó diplomático de Lula pode até animar a plateia ideológica, mas no salão da economia real, quem dança mesmo é o povo — e sem saber se a música vai parar antes de acabar o fôlego.
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