
O clima na Câmara dos Deputados chegou ao ponto de ebulição. A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, ainda envolta em debates jurídicos e políticos, provocou uma reação intensa entre seus aliados. No início da semana, um grupo de parlamentares decidiu ocupar fisicamente a Mesa Diretora do plenário, bloqueando o acesso e paralisando os trabalhos legislativos.
A ação, que teve como alvo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos–PB), acabou se tornando o estopim de uma nova crise institucional. Entre os acusados de quebra de decoro estão os deputados Júlia Zanatta (PL–SC), Marcel van Hattem (PL–RS), Marcos Pollon (PL–MS), Paulo Bilynskyj (PL–SP) e Zé Trovão (PL–SC). Segundo relatos, Zé Trovão teria usado a perna para impedir o acesso à presidência da Câmara.
A pressão foi imediata. Partidos como PT, PSB e PSOL protocolaram pedido para que os envolvidos sejam punidos com suspensão de até seis meses, incluindo corte de salário, cota parlamentar e verba de gabinete. Hugo Motta endossou o encaminhamento à Corregedoria, reforçando que a obstrução deve ocorrer dentro das regras regimentais e por meio do voto. “Nossa condição de presidir é inegociável”, declarou.
Agora, a decisão está nas mãos do Conselho de Ética, que poderá manter, reduzir ou até arquivar as penalidades sugeridas. Mas o episódio levantou um ponto delicado: a aparente seletividade na aplicação de sanções. A parlamentar que agrediu fisicamente o deputado Nikolas Ferreira ainda não teve seu caso encaminhado com a mesma celeridade.
Essa diferença de tratamento alimenta a percepção de dois pesos e duas medidas, ampliando o desgaste da presidência da Câmara. Em meio à paralisia legislativa, à polarização política e às acusações de parcialidade, Hugo Motta enfrenta um desafio: preservar a autoridade da Casa sem transformar o Conselho de Ética em instrumento de disputa ideológica.
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