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Editorial ANJO DE VOLTA AO CÉU

Alice, a flor que desabrochou cedo demais

Entre lágrimas e saudade, Teresina se despede da pequena Alice, de apenas 4 anos, que partiu precocemente em um acidente num dos colégio mais caros da capital. Uma despedida dolorosa, mas também um chamado à reflexão sobre cuidado, amor e atenção à infância

06/08/2025 às 19h17 Atualizada em 07/08/2025 às 12h09
Por: Douglas Ferreira
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A pequenina Alice, o anjinho que repousa agora nos braços de Deus - Foto: Reprodução
A pequenina Alice, o anjinho que repousa agora nos braços de Deus - Foto: Reprodução

Vai, Alice, para os braços do Senhor!

 

Havia em Alice um brilho que encantava. Olhos curiosos, sorriso doce, vida inteira pela frente. Era daquelas crianças que transformam qualquer ambiente com a leveza de um riso e a inocência de um gesto. Mas, de forma cruel e dolorosa, essa alegria foi interrompida cedo demais.

Alice Brasil Souza da Paz - sim, ela tinha Paz, no nome e era isso que ela transmitir -, tinha apenas quatro anos. No dia anterior ao acidente, havia celebrado seu aniversário com a família, ao lado do irmão gêmeo, Artur. Um dia de festa, que se tornou lembrança. No dia seguinte, a tragédia: dentro do Colégio CEV, uma das escolas mais onerosas de Teresina — pertencente ao governador Rafael Fonteles —, um móvel caiu sobre a pequena. E, junto dele, desabou também o coração de uma cidade inteira.

Sim, era a escola em que tantas famílias confiam seus filhos, acreditando na segurança e no cuidado. Mas falhou. Não conseguiu impedir o que jamais poderia ter acontecido. Talvez negligência, talvez esquecimento. Pouco importa a justificativa diante da dor: Alice se foi.

O velório e o sepultamento, no Jardim da Ressurreição, foram um mar de lágrimas. Lá estavam os pais — Dayana, a mãe fotógrafa que aprendeu a congelar momentos, e Cláudio, o pai militar que sempre buscou proteger a família. Mas como proteger do destino? Como segurar o anjinho que Deus decidiu chamar de volta? Lá estava também Artur, o irmão gêmeo, com sua dor silenciosa e inocente, sem ainda compreender a ausência que o acompanhará para sempre.

Não existe palavra que cure. Não existe nota de pesar que console. Não existe pedido de desculpas que preencha o vazio. A morte de uma criança é um corte profundo na alma da humanidade. É a lembrança de que somos frágeis demais, e de que falhamos justamente onde deveríamos ter o maior cuidado: com os pequeninos.

Mas, mesmo na dor, há um consolo: a fé. Só Deus, em sua infinita bondade, pode transformar esse luto em esperança. Só Ele pode abraçar os que ficaram e dar à família força para seguir.

Vai, Alice. Vai para os braços de Deus, onde não existe descuido, onde não há lágrimas, onde o amor é eterno. Vai, pequenina, e de lá de cima olha por todos nós. Olha pelos teus pais, pelo teu irmãozinho, pelos teus amigos. Olha até por aqueles que falharam contigo, porque a tua pureza é maior que qualquer erro humano.

Descansa, Alice. Teu nome é Paz. Teu sorriso é Luz. Tua breve passagem pela terra foi suficiente para nos ensinar que cada criança é sagrada e merece cuidado, atenção e amor infinitos.

Alice, flor do campo que desabrochou cedo demais, agora é anjo no jardim de Deus.

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