
Havia em Alice um brilho que encantava. Olhos curiosos, sorriso doce, vida inteira pela frente. Era daquelas crianças que transformam qualquer ambiente com a leveza de um riso e a inocência de um gesto. Mas, de forma cruel e dolorosa, essa alegria foi interrompida cedo demais.
Alice Brasil Souza da Paz - sim, ela tinha Paz, no nome e era isso que ela transmitir -, tinha apenas quatro anos. No dia anterior ao acidente, havia celebrado seu aniversário com a família, ao lado do irmão gêmeo, Artur. Um dia de festa, que se tornou lembrança. No dia seguinte, a tragédia: dentro do Colégio CEV, uma das escolas mais onerosas de Teresina — pertencente ao governador Rafael Fonteles —, um móvel caiu sobre a pequena. E, junto dele, desabou também o coração de uma cidade inteira.
Sim, era a escola em que tantas famílias confiam seus filhos, acreditando na segurança e no cuidado. Mas falhou. Não conseguiu impedir o que jamais poderia ter acontecido. Talvez negligência, talvez esquecimento. Pouco importa a justificativa diante da dor: Alice se foi.
O velório e o sepultamento, no Jardim da Ressurreição, foram um mar de lágrimas. Lá estavam os pais — Dayana, a mãe fotógrafa que aprendeu a congelar momentos, e Cláudio, o pai militar que sempre buscou proteger a família. Mas como proteger do destino? Como segurar o anjinho que Deus decidiu chamar de volta? Lá estava também Artur, o irmão gêmeo, com sua dor silenciosa e inocente, sem ainda compreender a ausência que o acompanhará para sempre.
Não existe palavra que cure. Não existe nota de pesar que console. Não existe pedido de desculpas que preencha o vazio. A morte de uma criança é um corte profundo na alma da humanidade. É a lembrança de que somos frágeis demais, e de que falhamos justamente onde deveríamos ter o maior cuidado: com os pequeninos.
Mas, mesmo na dor, há um consolo: a fé. Só Deus, em sua infinita bondade, pode transformar esse luto em esperança. Só Ele pode abraçar os que ficaram e dar à família força para seguir.
Vai, Alice. Vai para os braços de Deus, onde não existe descuido, onde não há lágrimas, onde o amor é eterno. Vai, pequenina, e de lá de cima olha por todos nós. Olha pelos teus pais, pelo teu irmãozinho, pelos teus amigos. Olha até por aqueles que falharam contigo, porque a tua pureza é maior que qualquer erro humano.
Descansa, Alice. Teu nome é Paz. Teu sorriso é Luz. Tua breve passagem pela terra foi suficiente para nos ensinar que cada criança é sagrada e merece cuidado, atenção e amor infinitos.
Alice, flor do campo que desabrochou cedo demais, agora é anjo no jardim de Deus.
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