
O governador Rafael Fonteles está cada vez mais envolvido numa equação política instável e perigosa: o Triplo T.
Um diagrama revelador de três vértices explosivos que expõem a face real de uma gestão envolta em promessas mirabolantes, propaganda pesada e silêncios comprometedores: Tonhão, Trump e Themistocles.
Três nomes, três crises — um governo que parece não mais se sustentar em argumentos, mas sim em narrativas, bravatas e jogos de poder.
Primeiro T – Tonhão: o silêncio diante da denúncia que abala os alicerces do governo
Grave. Gravíssimo. Assim deve ser tratado o conteúdo revelado pelo vereador Raimundo do Lero, episódio que veio ao conhecimento do mundo através de um áudio para alguem identificado como Tonhão, que revelou que uma construtora estaria sendo forçada a repassar R$ 2 milhões de propina ao governador Rafael Fonteles, referentes a uma obra de R$ 12 milhões no interior do Piauí. Segundo o vereador, sem esse repasse, a obra não teria como ser concluída — um verdadeiro esquema de extorsão institucionalizada.
A denúncia é direta, nominal e com valores específicos. Não parte da oposição ou de boatos anônimos: vem de um parlamentar local, com responsabilidade pública e mandato popular. E, apesar da gravidade, o que se vê por parte do Palácio de Karnak é um silêncio absoluto — e, pior, uma tentativa de desqualificar a fala como se fosse um ruído irrelevante em ano pré-eleitoral.
Mas o assunto não morreu. Pelo contrário: vem se alastrando como rastilho de pólvora nas redes sociais, entre grupos de servidores, empresários e lideranças do interior. O próprio governo, caso tenha compromisso com a legalidade e a transparência que tanto apregoa, deveria ser o primeiro a exigir uma investigação imediata e rigorosa, com abertura de sindicância, atuação da Controladoria-Geral do Estado e provocação ao Ministério Público.
No entanto, Rafael se esconde atrás de evasivas e demonstra irritação quando confrontado com perguntas. Essa postura alimenta ainda mais as suspeitas de que há algo de muito podre no coração da estrutura de poder montada em torno do jovem governador.
E o que torna tudo ainda mais insustentável é que essa denúncia se soma a uma série de outros episódios envolvendo contratos bilionários com empresas ligadas a pessoas próximas ao governador. Entre eles, o próprio sogro que a rigor, deveria ser impedido de participar de contratos com o estado. É no mínimo falta de ética. Mas ética e transparência é coisa rara nos dias de hoje. Outra figura lembrada diariamente entre empreiteiras e empresários da construção civil, agora relegados às sobras e migalhas das obras estaduais, é o jovem empresário Filipin, em meteórica ascensão, que parece multiplicar negócios com o estado com a velocidade de quem já sabe o caminho do cofre;
Diante disso, o que se revela é a formação de uma rede de favorecimento e aparelhamento, onde a proximidade com o governador é o principal capital de negócios. Não se trata mais de especulação: é um padrão. Uma lógica. Uma engrenagem.
O povo do Piauí merece respostas. E, principalmente, respeito. Governar não é distribuir contratos entre parentes e aliados — é servir à população com honestidade, compromisso público e responsabilidade com os recursos que vêm do suor do contribuinte.
Segundo T – Trump: a bravata federal que custa caro ao Piauí
Enquanto o Brasil se envolve em uma crise diplomática com os Estados Unidos por conta das falas irresponsáveis do presidente Lula contra Donald Trump, os reflexos já batem à porta do Piauí. Empresas exportadoras do estado, especialmente do agronegócio, da cadeia produtiva do mel de abelha e outros, já sentem o impacto com perdas de contratos, aumento de custos e risco de demissões em massa.
E onde está Rafael? De novo, fora de sintonia com a realidade. Em vez de se somar a outros governadores que já pressionam o Planalto para recuar das bravatas e iniciar negociações diplomáticas, prefere posar para fotos, viajar e anunciar obras que nem orçamento têm para começar.
Enquanto o país entra em rota de colisão com o mundo, o governador se comporta como um garoto-propaganda de um governo federal em crise — ignorando que sua função é defender os interesses do Piauí, e não agradar chefes partidários.
Terceiro T – Themistocles: o descarte anunciado
O veterano Themistocles Filho, vice-governador, é a mais nova vítima da máquina política que Rafael e o PT operam com maestria: valoriza-se o aliado enquanto serve — depois, joga-se fora como um pano sujo.
Themistocles, que há décadas não sabe o que é perder uma eleição, foi usado em 2022 para atrair setores políticos estratégicos. Mas agora, nos bastidores, é visível a movimentação para isolá-lo da disputa de 2026. O velho pragmatismo do PT entra em campo: manter o poder, mesmo que isso signifique atropelar compromissos, alianças e biografias.
O que resta saber é: Themistocles vai aceitar ser empurrado para escanteio? Ou será ele o ponto de ruptura desse tripé político-eleitoral?
Conclusão: a falência do tripé
O Diagrama Rafaelino não é um projeto de futuro — é uma fórmula de ilusão:
• Uma denúncia explosiva tratada com silêncio e desprezo;
• Uma crise internacional ignorada em nome da submissão política;
• Um aliado histórico prestes a ser descartado como estorvo.
No meio disso tudo, um governador que prefere a bolha da propaganda aos riscos da verdade. Um governo que oferece promessas impossíveis, planos que não se realizam, e sorrisos de marqueteiro para esconder o colapso ético e administrativo.
O problema é que nem todo eleitor vive de propaganda. E quando a realidade bater à porta com mais força — seja em forma de escândalo, crise econômica ou traição política — o Triplo T pode virar o Triplo Tombo de uma carreira construída sobre discursos e ambições, mas muito pouca responsabilidade.
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