Terça, 28 de Julho de 2026
25°

Tempo nublado

Teresina, PI

Editorial FAVAS CONTADAS

Brasil em transe: da monarquia ao populismo, ainda buscamos um projeto de nação

Onde erramos no caminho?

31/07/2025 às 10h05 Atualizada em 31/07/2025 às 18h37
Por: Redação GH1 Fonte: Arthur Feitosa
Compartilhe:
Brasil em transe: da monarquia ao populismo, ainda buscamos um projeto de nação

"Uma análise profunda sobre os erros históricos, o esvaziamento da cidadania e a falta de rumo de um país que insiste em improvisar o futuro".

“Desde a queda do Império, o Brasil coleciona rupturas institucionais, líderes despreparados e promessas não cumpridas. A república que deveria nos libertar acabou nos acorrentando ao populismo e à desinformação. O que fizemos do Brasil desde 1822 e o que ainda podemos fazer para salvá-lo de si mesmo?”

Brasil, pra onde quer ir?

O Brasil vive um daqueles momentos cruciais em que a pergunta “pra onde queremos ir?” deixa de ser retórica e passa a ser existencial. As crises não são apenas econômicas, políticas ou morais são também crises de projeto, de propósito e de identidade nacional. Chegamos a 2025 como uma nação cansada, dividida e, sobretudo, desorientada. Estamos no piloto automático, empurrados por narrativas vazias, escolhas ruins e líderes despreparados. Mas será que foi sempre assim? Onde erramos no caminho? O que aprendemos se é que aprendemos desde 1822?
E o império?  
Foi um atraso ou uma oportunidade perdida?
A pergunta pode soar desconfortável em tempos republicanos, mas é inevitável: será que o Brasil teria progredido mais se tivesse mantido o Império? Dom Pedro II, um chefe de Estado com sólida formação intelectual, fluente em várias línguas, defensor das artes e das ciências, era uma figura rara em nosso cenário político. Governou por quase meio século sem enriquecer ilicitamente, sem cercar-se de escândalos e mantendo um projeto de país estável e coeso.
A proclamação da república, em 1889, não foi fruto de clamor popular, mas de um golpe militar algo que já indicava o viés autoritário que viria a marcar grande parte da história republicana. Desde então, tivemos um desfile de presidentes improvisados, oligarquias regionais, ditaduras e experimentos populistas quase todos alicerçados mais na manipulação do povo do que na construção de uma cidadania consciente.
A República chegou com a promessa de democracia mas o que temos desde então é só ciclos de improvisos!
A república nos prometeu representação, liberdade, direitos civis. Mas o que ela nos entregou, na prática? Desde o início, a elite política brasileira tratou o poder como propriedade privada. O voto sempre foi manipulado, comprado ou esvaziado. O sistema educacional brasileiro nunca foi tratado como prioridade nacional talvez justamente porque formar cidadãos críticos ameaçaria a perpetuação dos mesmos grupos no comando do Estado.
É possível imaginar um presidente da república brasileira seja no passado ou no presente que se equipare, intelectualmente, a Dom Pedro II? Difícil. A pergunta embute uma crítica ao tipo de liderança que cultivamos. Aqui, ser culto, técnico ou estrategista parece menos importante do que ser carismático, folclórico ou messiânico. O resultado está diante de nós: uma democracia de baixa intensidade, refém de paixões, slogans e escândalos cíclicos.
E a educação onde entra nisso?
A educação, desde a fundação do país, jamais foi colocada como alicerce do desenvolvimento. É uma área que sobrevive à base de improvisos, com professores mal pagos e sobretudo mal-formados, com pouquíssima ou nenhuma consciência cívica, estrutura precária e currículos que pouco estimulam o pensamento crítico e técnico que alcance o trabalho como meio de bem-estar social. O Brasil forma trabalhadores obedientes, dependentes de benefícios estatais, não cidadãos conscientes.
Sem educação de qualidade, o povo é facilmente manipulado. A desinformação se espalha como fogo em palha seca. As massas não compreendem os projetos de poder que se escondem por trás de discursos bonitos. A política vira teatro. O debate público vira torcida. E a corrupção vira paisagem.
Vivemos uma profunda crise de valores e de identidade nacional. A cultura do "jeitinho", o culto ao improviso, a desconfiança permanente nas instituições e a apatia social se consolidaram como marcas da sociedade brasileira. Pior: há um processo de infantilização coletiva, em que parte da população espera ser “salva” por um líder carismático, enquanto a outra parte se resigna e “deixa pra lá”.
A democracia está sendo esvaziada por dentro. A liberdade de expressão é relativizada, a imprensa se curva ao poder de turno, o sistema de justiça se politiza. A crítica virou crime. O aplauso, obrigação.
O cenário atual revela um governo que, em nome da reconstrução nacional, repete práticas do passado: aumento da carga tributária, aparelhamento do Estado, cooptação de instituições e estímulo à dependência das massas. O Brasil de Lula 3 não aponta para o futuro: olha pelo retrovisor e tenta reviver um tempo que já não existe com os mesmos vícios, os mesmos discursos, os mesmos beneficiários.
Enquanto isso, a economia perde dinamismo, os jovens perdem esperança, os empreendedores perdem estímulo e os brasileiros perdem a fé. É como se estivéssemos todos trancados em uma sala escura, esperando que alguém encontre o interruptor. O Brasil precisa dizer ao seu povo que não existe liberdade sem soberania sobre sua própria voz?
Liberdade não é só poder votar a cada quatro anos. É poder se expressar sem medo, debater sem ser cancelado, discordar sem ser silenciado. Um povo que não tem soberania sobre sua própria voz está à mercê da propaganda oficial, da censura velada e da manipulação emocional.

Estamos formando uma geração sem referência de país, sem clareza de valores, sem identidade coletiva. Uma geração anestesiada pela política do pão e circo digital, enquanto o Estado vai, pouco a pouco, ocupando todos os espaços da vida pública e privada.
Aqui cabe uma pergunta importante: há saída?
Sim. Mas ela não virá de cima. Virá da consciência.
O Brasil precisa de um novo despertar moral, intelectual, político. É urgente recuperar a capacidade de pensar como nação, de planejar a longo prazo, de valorizar líderes preparados, de investir em educação de verdade, e não em doutrinação disfarçada de inclusão.
A grande virada virá quando deixarmos de eleger mitos e começarmos a exigir gestores. Quando deixarmos de lado o sentimentalismo cego e escolhermos o pragmatismo responsável. Quando o Brasil parar de esperar um salvador e decidir ser o protagonista do seu próprio destino.
A pergunta, no fim, permanece: Brasil, pra onde você quer ir?
E a resposta não virá dos palácios.
Virá das ruas, das escolas, das famílias e das consciências que decidirem acordar

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários