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Brasil ESTIAGEM E QUEIMADA

Seca e queimadas agravam a situação dos indígenas e população ribeirinha no Amazonas

A seca, que chegou de forma antecipada e com força devastadora, já impacta diretamente quase 300 mil pessoas, colocando em risco a subsistência de comunidades inteiras

27/08/2024 às 13h49 Atualizada em 27/08/2024 às 14h21
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações ICL
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A baixa do nível das águas dos rios amazônicos impressiona - Foto: Reprodução
A baixa do nível das águas dos rios amazônicos impressiona - Foto: Reprodução

A região Norte do Brasil, especialmente o estado do Amazonas, está mergulhada em uma crise ambiental sem precedentes. A seca, que chegou de forma antecipada e com força devastadora, já impacta diretamente quase 300 mil pessoas, colocando em risco a subsistência de comunidades inteiras. O que provocou essa antecipação? A resposta reside em um complexo jogo de fatores climáticos e ações humanas.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) aponta que o volume de chuvas abaixo da média registrado no início de maio de 2024 é um dos principais responsáveis por essa seca precoce. Essa redução pluviométrica, combinada com a histórica descida dos rios que começou antes do esperado, acelerou o início da estiagem, geralmente prevista para agosto, mas que já se instalou em julho. Este fenômeno não apenas antecipa o período seco, como também intensifica seus efeitos, prolongando a agonia das populações ribeirinhas e indígenas que dependem dos rios para sobreviver.

Mas a seca, por si só, não é o único flagelo. A temporada de queimadas atingiu níveis recordes, criando uma tempestade perfeita de destruição. No sábado, 24 de agosto, foram registrados 7.130 focos de incêndio no Amazonas, um aumento alarmante de 30% em relação ao ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No dia seguinte, a Amazônia Legal contabilizava 1.894 focos de incêndio ativos, colocando em risco a maior floresta tropical do mundo.

Essa combinação de seca e queimadas é devastadora. Em Manaus, o Rio Negro, um dos principais rios da região, baixou quase dois metros em agosto, atingindo níveis críticos. Cidades como Tabatinga e Envira, na região do Alto Solimões, enfrentam uma escassez severa de insumos e água potável, com o preço dos alimentos disparando até 100%.

A crise das queimadas, exacerbada por ações humanas e desmatamento, espalha ondas de fumaça por todo o estado, contribuindo para a degradação do ar e agravando problemas de saúde pública. O aumento das queimadas, especialmente na região sul do Amazonas, onde a pecuária predomina, é um reflexo direto da falta de fiscalização e da impunidade, que alimentam a destruição de áreas florestais.

O cenário é sombrio, e as previsões indicam que o Amazonas pode enfrentar uma seca tão intensa quanto a de 2023, a mais severa já registrada na história do Estado. A antecipação dessa crise climática é um sinal de alerta não apenas para o Brasil, mas para o mundo, sobre os perigos de ignorar as mudanças climáticas e a importância de preservar o que resta da Amazônia. A pergunta que fica é: até quando o estado do Amazonas e seus habitantes conseguirão resistir a essa combinação letal de seca e fogo? O futuro da floresta e das pessoas que dependem dela está mais incerto do que nunca.

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