
Entre o vício por distrações e a perda da concentração, uma geração inteira corre o risco de desaprender a refletir.
Vivemos em tempos em que pensar virou quase um esforço contra a corrente. Em meio a uma avalanche de vídeos curtos, memes, dancinhas, lives e notificações infinitas, pensar exige mais do que inteligência, exige silêncio. E o silêncio, hoje, virou artigo raro.
Segundo dados do DataReportal de 2024, o brasileiro passa, em média, 10 horas e 31 minutos por dia conectado à internet, sendo 3 horas e 27 minutos só em redes sociais. O TikTok já ultrapassou o YouTube em tempo médio diário entre os jovens. Nunca estivemos tão conectados, e tão dispersos.
A cultura do entretenimento tomou conta de tudo. Já não assistimos a algo por escolha, mas por hábito. O conteúdo não apenas nos encontra, ele nos persegue, nos envolve, nos anestesia. Rimos, reagimos, comentamos, deslizamos o dedo. E seguimos para o próximo vídeo, sem lembrar o anterior.
Não se trata de demonizar o entretenimento. O problema é quando ele deixa de ser pausa e se torna vício. Quando usamos o riso como fuga. Quando nos ocupamos tanto com estímulos imediatos que já não sabemos sustentar uma leitura, uma conversa longa, uma ideia mais densa. A consequência disso é grave: estamos perdendo a capacidade de concentração, de argumentação e de pensamento crítico.
O mundo real exige reflexão. E uma geração que não lê, que não questiona, que apenas consome e reage, se torna presa fácil para qualquer narrativa, por mais simplista ou manipuladora que seja.
A hiperconexão está afetando não apenas o comportamento, mas a forma como construímos conhecimento. Já não se trata de falta de acesso à informação, mas de falta de profundidade no contato com ela. A facilidade virou superficialidade.
Hoje com a tecnologia da I.A, até os estudos foram afetados, milhões de estudantes estão usando essas tecnologias para fazer seus trabalhos, direcionando as perguntas de provas e pesquisas onde são resolvidas sem esforço, sem leitura e consequentemente sem aprendizado. As pessoas já não precisam mais pesquisar, não precisa mais consultar livros, estão entregando suas capacidades de pensar e desenvolver textos e pesquisas nas mãos de uma inteligência artificial, tornando tudo mais fácil e se fazendo dispensável a nossa única capacidade que nos torna diferentes de dos outros animais desta terra, a capacidade de raciocinar e desenvolver coisas com o uso de nossa inteligência.
É hora de fazer uma escolha: continuar no piloto automático ou retomar o controle da atenção? Pensar dá trabalho, sim. Mas o custo de não pensar é muito mais alto, e está sendo cobrado em parcelas diárias, com juros de alienação.
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