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Na Argentina, salário mínimo aumenta em dólares e se aproxima de valor no Brasil

Enquanto o poder de compra em dólares diminui no Brasil, Argentina surpreende com valorização do peso e aumento real do salário mínimo

03/01/2025 às 20h24
Por: Wagner Albuquerque
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Pesos argentinos - Foto: Reprodução
Pesos argentinos - Foto: Reprodução

Os salários mínimos no Brasil e na Argentina seguiram trajetórias opostas em 2024 quando medidos em dólares. No Brasil, a desvalorização do real, que perdeu cerca de 25% de seu valor frente ao dólar, reduziu o poder de compra dos trabalhadores. Já na Argentina, o peso se valorizou em termos reais, mesmo em meio a uma inflação elevada.

No início de 2024, o salário mínimo brasileiro era de R$ 1.412, equivalente a US$ 291. Com o reajuste deste ano, o valor subiu para R$ 1.518, mas caiu para cerca de US$ 247 devido à desvalorização do real. Esse impacto é atribuído a fatores como a deterioração fiscal e a crescente relação dívida/PIB, que também levaram o dólar a ultrapassar os R$ 6 pela primeira vez.

Na Argentina, o salário mínimo aumentou de 156 mil pesos no início de 2024 para 272 mil pesos atualmente, uma alta nominal de 76%. Em dólares, o valor saltou de US$ 157 para US$ 228, ficando pouco abaixo do mínimo brasileiro. A inflação no país, embora ainda alta, está em trajetória descendente, fechando o ano próximo a 115%, mas com variações mensais abaixo de 3%.

Outro fator relevante foi a valorização real do peso argentino, que liderou entre as moedas emergentes no ano passado. Apesar de o dólar paralelo (“blue”) ter subido de 1.015 pesos para 1.230 pesos, o poder de compra aumentou. Esse fortalecimento contribuiu para uma percepção mais positiva da economia, com reflexos na popularidade do presidente Javier Milei, que mantém índices de aprovação superiores aos de seus antecessores no mesmo período de governo.

Curiosamente, itens de consumo como o Big Mac refletem essa mudança. Segundo o Financial Times, o sanduíche, que custava US$ 7,90 em janeiro de 2024 em Buenos Aires, agora é adquirido por US$ 3,80. Essa redução de preço, combinada com a valorização do peso, elevou o poder de compra dos argentinos e reforçou a confiança na gestão atual.

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