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O colapso de Cuba e a nova rota migratória para o Brasil

A crise energética e a falta de perspectiva impulsionam saída histórica de cubanos

20/12/2024 às 16h19 Atualizada em 21/12/2024 às 15h40
Por: Wagner Albuquerque
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Lula segurando a bandeira de Cuba - Foto: AFP 2023 / NELSON ALMEIDA
Lula segurando a bandeira de Cuba - Foto: AFP 2023 / NELSON ALMEIDA

A emigração cubana rumo ao Brasil atingiu níveis inéditos em 2024. De janeiro a novembro, mais de 19,7 mil cubanos chegaram ao país, a maioria em busca de refúgio. Esse número é mais que o triplo do registrado há dez anos e reflete a intensificação da crise econômica na ilha, que vive sob regime comunista desde 1959.

Nos últimos anos, apagões constantes e a precariedade das usinas termelétricas agravaram a situação em Cuba. Além disso, a diminuição do envio de petróleo pela Venezuela, aliado histórico, ampliou a escassez de combustível. O governo cubano atribui o agravamento ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, enquanto especialistas apontam para a gestão ineficaz como fator central.

A desesperança crescente impulsionou o êxodo de milhares de cubanos. O Brasil, com uma política migratória receptiva e uma comunidade já consolidada desde o programa Mais Médicos, tem sido um destino comum. De janeiro a novembro deste ano, 19,1 mil cubanos pediram refúgio no país, superando os números de anos anteriores. Outros 678 ingressaram por vias alternativas.

Lula se reuniu com o ditador cubano, Miguel Díaz-Canel, em 2023 - Foto: Ricardo Stuckert

A rota migratória inclui grandes desafios. Mais de 50% dos imigrantes entram no Brasil pelos estados do Amapá e Roraima, vindos do Suriname e da Guiana. Para chegar até esses pontos, enfrentam travessias por terra e barco, além de percorrer territórios inóspitos como a Guiana Francesa. Muitos veem o Brasil como um ponto de passagem para outros destinos, como Chile, Uruguai ou até os Estados Unidos.

A crise em Cuba gerou um impacto demográfico expressivo. De 2022 a agosto de 2024, cerca de 850 mil cubanos chegaram aos EUA. O principal demógrafo da ilha, Juan Carlos Albizu-Campos, estima que a população caiu para 8,6 milhões, uma redução de 18%, com efeitos diretos na força de trabalho e nas taxas de natalidade.

A situação econômica também segue deteriorada. Com a escassez de combustível e alimentos e a redução da mão de obra, o turismo, um dos pilares econômicos de Cuba, sofreu um golpe severo. Segundo o Ministério do Turismo, o país recebeu 2,2 milhões de visitantes internacionais este ano, bem abaixo da meta de 3,2 milhões e muito distante dos números registrados antes da pandemia.

 

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