
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente chinês, Xi Jinping, formalizaram, nesta quarta-feira (20/11), 37 acordos bilaterais que fortalecem a cooperação entre os dois países. Embora o Brasil tenha evitado aderir oficialmente à Nova Rota da Seda, os acordos visam promover “sinergia” entre programas brasileiros e a iniciativa chinesa, considerada estratégica por Pequim.
A reunião ocorreu no Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência, com a presença de autoridades dos dois governos. Xi Jinping, que chegou ao Brasil no domingo para participar da cúpula do G20, utilizou a ocasião para avançar o diálogo bilateral. A Nova Rota da Seda, principal iniciativa de política externa da China, já financiou mais de 21 mil projetos de infraestrutura globalmente, com investimentos superiores a 1,3 trilhão de dólares.
Apesar da pressão chinesa, o Brasil optou por uma postura cautelosa. De acordo com especialistas, o governo brasileiro avaliou que sua relação com a China já é suficientemente robusta e que uma adesão formal poderia gerar atritos com os Estados Unidos, outro parceiro estratégico. Para o Itamaraty, a parceria com Pequim é mais prática do que simbólica, o que dispensaria um alinhamento integral à iniciativa chinesa.
Entre os acordos firmados, destacam-se medidas para integrar políticas brasileiras, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Plano Nova Indústria Brasil, aos objetivos da Nova Rota da Seda. “A China é uma das principais origens de investimentos no Brasil. Essas parcerias geram emprego, renda e sustentabilidade para o país”, afirmou Lula em coletiva de imprensa.
Outro destaque foi o avanço na relação comercial e industrial entre os dois países. O texto firmado prevê maior inserção de empresas brasileiras na China, como WEG, Suzano e Randon, além de parcerias em áreas estratégicas como energia, mineração, agricultura e comércio. “Desde 2017, o Brasil é o maior fornecedor de alimentos para a China, e o superávit comercial com o país asiático é responsável por mais da metade do saldo global brasileiro”, destacou Lula.
Na área de tecnologia, um acordo entre a Telebras e a Shanghai Spacesail Technologies chamou atenção. O entendimento abre caminho para a empresa chinesa estudar o mercado brasileiro de internet por satélite, atualmente dominado pela Starlink, de Elon Musk. Segundo o CEO da SpaceSail, a empresa pretende iniciar operações no Brasil até 2026, o que pode aumentar a competitividade no setor.
Além das questões comerciais e tecnológicas, os governos firmaram parcerias em temas como energia nuclear, inteligência artificial, turismo, esporte e cultura. A diversificação dos acordos reflete a importância estratégica da relação bilateral, mesmo sem a adesão formal do Brasil à principal iniciativa internacional da China.
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