
A crise financeira que abalou o Paraguai ganhou um novo capítulo neste sábado (7). A Justiça decretou a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, um dia depois de sua destituição pelo Congresso. Ele é investigado por supostas irregularidades envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira cuja crise provocou forte turbulência política e econômica no país.
A decisão foi tomada pelo juiz Humberto Otazú, especializado em crimes econômicos, após pedido do Ministério Público. Peña deverá permanecer detido no Regimento de Escolta Presidencial, uma instalação militar em Assunção. O magistrado apontou risco de fuga e possibilidade de obstrução das investigações como fundamentos para a medida.
O ex-presidente já havia sido detido na noite de sexta-feira (6), inicialmente com determinação de prisão domiciliar. A nova decisão judicial tornou mais rigorosa a medida cautelar, transferindo-o para uma unidade militar. O ex-presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, também foi denunciado e teve a prisão preventiva solicitada.
As investigações apuram possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos e previdenciários ao Ueno Bank, além de suspeitas de interferência nos mecanismos de fiscalização da instituição. Peña foi formalmente acusado de suposta lesão de confiança, na condição de instigador, e administração em proveito próprio. São acusações ainda sob investigação, não uma condenação criminal.
O caso ganhou dimensão porque Peña manteve vínculos empresariais com o grupo controlador do banco. Ele foi acionista do Ueno Holding até 2025. A investigação procura esclarecer se sua posição política foi utilizada para favorecer a instituição e garantir a permanência de recursos de órgãos públicos e entidades previdenciárias em suas contas.
O Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai, entrou em processo de intervenção e resolução determinado pelo Banco Central após problemas financeiros. A medida atingiu aproximadamente 2,94 milhões de clientes, muitos dos quais ficaram temporariamente sem acesso aos depósitos. Entre os recursos envolvidos estavam valores de instituições públicas, inclusive do sistema previdenciário e da empresa estatal de energia.
A dimensão do problema ajuda a explicar a repercussão nacional. Não se trata apenas de uma instituição privada em dificuldades. A crise alcançou recursos públicos, atingiu milhões de correntistas e levantou questionamentos sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro.
A defesa de Peña rejeitou as suspeitas de fuga e obstrução da Justiça. O advogado Ricardo Preda, entretanto, considerou adequado que o ex-presidente cumpra a medida no Regimento de Escolta Presidencial. Peña deverá responder às acusações durante o andamento do processo.
O episódio representa uma das maiores crises políticas e financeiras recentes do Paraguai. Em poucos dias, Santiago Peña perdeu o mandato, foi detido e passou a responder a uma investigação criminal que poderá ter consequências profundas para sua trajetória política e para a credibilidade das instituições paraguaias.
O caso também deixa uma questão central: como recursos públicos e previdenciários foram parar em uma instituição financeira que acabou submetida à intervenção? A investigação terá de esclarecer quem tomou as decisões, quais interesses estavam envolvidos e se houve favorecimento político. O que está em jogo vai muito além do destino de um ex-presidente: envolve a confiança da população no sistema bancário e na capacidade do Estado de proteger o dinheiro público.
LITURGIA XXXII Domingo do Tempo Comum
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