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Trump sofre derrota histórica nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos

Democratas conquistam o controle da Câmara e do Senado, avançam em redutos republicanos e impõem um revés político ao presidente nos dois últimos anos de seu mandato

04/11/2026 às 08h57 Atualizada em 04/11/2026 às 11h39
Por: Douglas Ferreira
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Presidente americano Donald Trump - Foto: Reprodução
Presidente americano Donald Trump - Foto: Reprodução

As eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3) nos Estados Unidos terminaram com uma vitória expressiva do Partido Democrata. A oposição conquistou o controle das duas casas do Congresso, Câmara dos Representantes e Senado, encerrando a maioria republicana que sustentava a agenda legislativa de Donald Trump.

O resultado representa um duro recado do eleitorado ao presidente, que participou ativamente da campanha e chegou a pedir que os americanos votassem como se seu próprio nome estivesse nas urnas. A onda democrata também alcançou estados tradicionalmente republicanos, onde candidatos do partido conseguiram vitórias consideradas surpreendentes.

O avanço foi especialmente significativo em estados conservadores. No Texas, o democrata James Talarico venceu a disputa pelo Senado contra Ken Paxton, enquanto Gina Hinojosa conquistou o governo estadual. No Kansas, Adam Hamilton também garantiu uma vitória histórica para os democratas. Houve ainda viradas importantes em Iowa, Ohio, Carolina do Norte e Carolina do Sul.

O resultado acompanha uma tendência histórica da política americana. Desde 1946, em 21 eleições de meio de mandato, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 19 ocasiões. As únicas exceções foram 1998, durante o governo Bill Clinton, e 2002, na administração George W. Bush. A perda média histórica é de aproximadamente 26 cadeiras.

O custo de vida, a inflação, a insatisfação com a condução da economia e as preocupações com a guerra no Irã apareceram entre os principais fatores apontados pelos eleitores. A insatisfação com o governo também foi alimentada por denúncias de corrupção e pelo desgaste político da administração republicana.

Trump tentou minimizar o impacto do resultado. Afirmou que, se seu nome estivesse nas urnas, teria vencido com ampla vantagem, e atribuiu parte das derrotas ao desempenho dos candidatos republicanos. Apesar disso, declarou disposição para trabalhar com a oposição.

A nova configuração do Congresso muda significativamente o cenário político de Washington. Com maioria nas duas casas, os democratas terão maior poder para fiscalizar o Executivo, abrir investigações, bloquear indicações e dificultar a aprovação de projetos do presidente.

A derrota não encerra o governo Trump, mas reduz sua margem de manobra justamente na segunda metade do mandato. O presidente terá de negociar com uma oposição fortalecida, enquanto os democratas passam a dispor de instrumentos institucionais para exercer pressão sobre a Casa Branca.

A eleição de 2026 confirma, mais uma vez, que o eleitorado americano costuma usar as eleições de meio de mandato para cobrar a conta de quem ocupa a Casa Branca. Desta vez, a cobrança atingiu também o controle republicano do Congresso.

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