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Rogério Marinho entra na disputa pelo comando do Senado e desafia articulação de Alcolumbre

PL oficializa candidatura do líder da oposição, que pretende representar a direita na eleição de fevereiro de 2027. Disputa também envolve Tereza Cristina, enquanto Alcolumbre reúne apoios de partidos da base governista e do Centrão

04/11/2026 às 15h53
Por: Douglas Ferreira
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PL terá Rogério Marinho como candidato ao Senado Federal - Foto: Reprodução
PL terá Rogério Marinho como candidato ao Senado Federal - Foto: Reprodução

O Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal. Atual líder da oposição na Casa, Marinho foi escolhido pela legenda para representar a direita na disputa marcada para 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares elegerão a nova Mesa Diretora.

A decisão coloca o PL diretamente no enfrentamento político com o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também está no páreo, embora existam conversas nos bastidores para uma possível composição entre as duas candidaturas de oposição.

Coordenador da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro, Marinho tem a confiança da família Bolsonaro e chega à disputa com a missão de construir uma alternativa ao grupo que atualmente controla o comando do Legislativo. Ao anunciar sua escolha, afirmou ter sido escolhido pelos companheiros para representar a direita.

A candidatura, entretanto, exigirá uma articulação que ultrapasse os limites do próprio PL. Para vencer, são necessários pelo menos 41 votos. O partido terá 29 senadores em 2027, o que significa que Marinho precisará conquistar outros 12 votos para alcançar a presidência.

A estratégia liberal passa pela tentativa de atrair dissidências em outras legendas, inclusive dentro do União Brasil, partido de Alcolumbre. A aposta é que parte dos senadores não esteja necessariamente comprometida com a continuidade da atual gestão e possa aderir a uma candidatura alternativa.

Alcolumbre, por sua vez, já trabalha com uma base de apoio expressiva. MDB, PSD, PT, União Brasil e PP sinalizaram apoio à sua reeleição, formando uma articulação que reúne partidos de diferentes campos políticos. O movimento demonstra a capacidade do atual presidente de construir alianças e manter influência sobre o funcionamento da Casa.

O cenário revela que a eleição não será apenas uma disputa entre nomes, mas também um teste de força entre diferentes projetos de poder no Senado. De um lado, a direita tenta ampliar sua presença institucional; de outro, Alcolumbre busca preservar o comando da Casa por meio de uma ampla composição partidária.

Se eleito, Rogério Marinho promete colocar em pauta temas considerados prioritários pelo bolsonarismo, entre eles a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a anistia aos condenados pelos acontecimentos de 8 de Janeiro. O senador afirma que sua eventual gestão não será monotemática, mas terá como princípio fazer valer a Constituição.

Marinho também recuperou a lembrança da eleição de 2023, quando foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Na ocasião, o PL ficou fora do bloco vencedor e perdeu espaço na distribuição de cargos e nas comissões. Agora, o senador promete respeitar a proporcionalidade partidária e garantir participação às demais legendas.

Durante o anúncio de sua candidatura, Marinho também disparou críticas contra a articulação de Alcolumbre, acusando o atual presidente de utilizar a estrutura política do Senado para conquistar adesões. Segundo ele, a distribuição de verbas, vantagens e atalhos seria utilizada para cooptar votos. Trata-se de uma acusação política feita pelo parlamentar, que eleva o tom da disputa antes mesmo da abertura oficial da campanha.

A movimentação pelo Senado ocorre paralelamente à disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente, trabalha pela reeleição e conta com o apoio de um bloco de 15 partidos, que reúne 361 deputados, incluindo o PT e outras legendas da base do governo Lula.

O PL, que terá a maior bancada da Câmara em 2027, com 121 deputados, ainda não definiu sua posição. Enquanto uma ala defende apoiar Motta para garantir espaços na Mesa Diretora e nas comissões, outra prefere uma candidatura própria. O assunto será discutido em reunião marcada para 11 de novembro.

No Senado, porém, a decisão já está tomada: o PL escolheu seu representante. Resta saber se Rogério Marinho conseguirá transformar os 29 votos da bancada em uma coalizão capaz de enfrentar a poderosa articulação de Alcolumbre. A eleição de fevereiro será um dos primeiros grandes testes da correlação de forças políticas no Congresso para 2027.

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