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Política SEGUNDO TURNO

Republicanos desembarca no bloco de Flávio Bolsonaro

Apoio do partido, articulado por Tarcísio, amplia o arco de alianças do candidato do PL, mas Marcos Pereira avisa: “não é cheque em branco”

08/10/2026 às 01h26
Por: Douglas Ferreira
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Flávio Bolsonaro tem atraído diversas forças políticas para o segundo turno - Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro tem atraído diversas forças políticas para o segundo turno - Foto: Reprodução

Pelo visto, a debandada em direção à campanha de Flávio Bolsonaro ganhou velocidade. Depois de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, agora é a vez do Republicanos desembarcar oficialmente no bloco do candidato do PL. E não é pouca coisa.

O partido declarou nesta quarta-feira, 7 de outubro, apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi anunciada pelo presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira, após reunião com Flávio e lideranças partidárias. O encontro teve a presença de nomes de enorme peso político dentro do Republicanos, entre eles Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo, e Cleitinho Azevedo, senador eleito governador de Minas Gerais.

E há um detalhe importante: Tarcísio foi um dos principais articuladores da adesão. Depois da vitória em São Paulo, o governador intensificou as conversas com Marcos Pereira e com Flávio Bolsonaro. O movimento mostra que o Republicanos não está apenas acompanhando uma tendência eleitoral. Uma de suas principais lideranças nacionais trabalhou diretamente para construir a aliança.

O tamanho do Republicanos

Para entender o significado desse apoio é preciso olhar além da sigla.

O Republicanos reúne hoje uma combinação pouco desprezível de força política: Tarcísio de Freitas em São Paulo, Cleitinho em Minas Gerais, Otaviano Pivetta em Mato Grosso, Marcos Pereira na presidência nacional do partido, Hugo Motta na presidência da Câmara e uma bancada parlamentar expressiva. No Senado, a legenda já reúne nomes como Cleitinho, Damares Alves, Hamilton Mourão e Alan Rick.

É uma estrutura que atravessa diferentes regiões do país e que não se resume ao bolsonarismo raiz. Há, dentro do partido, setores mais próximos do centro político e também parlamentares que apoiam Lula. O próprio Republicanos adotou neutralidade no primeiro turno, depois de consultar suas executivas estaduais. Pelo menos 17 dos 27 diretórios optaram por não declarar apoio a nenhum candidato.

Por isso, a decisão desta quarta-feira é especialmente significativa: o partido mudou de posição para o segundo turno, mas não fechou questão. Integrantes da legenda que preferirem apoiar Lula não estarão sujeitos a punição partidária. A Paraíba e Pernambuco, inclusive, foram citados por Marcos Pereira como estados nos quais as particularidades locais serão respeitadas.

Não é cheque em branco

Marcos Pereira fez questão de estabelecer limites.

Ao anunciar o apoio, o presidente do Republicanos afirmou que “o apoio não é um cheque em branco”. A legenda, segundo ele, estará ao lado de Flávio nas reformas e na responsabilidade fiscal, mas manterá liberdade para divergir de um eventual governo quando entender que os interesses do país assim exigirem.

A declaração é politicamente relevante.

O Republicanos está dizendo, em outras palavras, que apoia Flávio para presidente, mas não está entregando ao PL um cheque assinado e sem valor preenchido. Apoio eleitoral não significa submissão partidária.

Pereira também cobrou do candidato uma postura de presidente de todos os brasileiros, inclusive daqueles que não votarem nele. E falou em reconstrução de pontes e pacificação do país depois de uma campanha marcada por forte polarização.

A direita vai formando seu bloco

O movimento do Republicanos ocorre depois de uma sequência de adesões importantes.

A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, já declarou apoio a Flávio. O Novo também aderiu. Ronaldo Caiado, embora seu partido, o PSD, tenha mantido posição própria de neutralidade nacional, declarou apoio pessoal ao candidato. Romeu Zema fez o mesmo.

Agora chega o Republicanos.

E a soma começa a produzir uma fotografia política bastante diferente daquela do primeiro turno.

Flávio terminou a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula, uma diferença superior a 2,2 milhões de votos. Com a definição do segundo turno, partidos e lideranças que haviam permanecido neutros passaram a se movimentar.

Não se trata, portanto, apenas de uma declaração partidária.

É a formação de um amplo arco político em torno da candidatura do PL, que começa a incorporar desde setores claramente identificados com a direita até partidos e lideranças do centro político.

Tarcísio é a peça que chama atenção

Entre todos os nomes do Republicanos, talvez nenhum simbolize melhor essa aproximação do que Tarcísio de Freitas.

Reeleito governador de São Paulo com ampla votação, Tarcísio se consolidou como uma das principais lideranças políticas do campo da direita. Sua participação na construção do acordo dá ao apoio do Republicanos uma dimensão que vai muito além da burocracia partidária.

Cleitinho representa outra peça importante.

Eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, o senador confirmou apoio a Flávio logo após a eleição e participou do anúncio oficial do Republicanos. Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, acrescenta peso estratégico à movimentação.

Assim, o Republicanos chega ao segundo turno levando para a mesa São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e uma estrutura parlamentar nacional.

É muita coisa.

E é por isso que a decisão de Marcos Pereira não pode ser tratada como mera formalidade partidária.

O Republicanos não está simplesmente “indo junto”.

Está entrando no jogo.

E, ao mesmo tempo em que abre espaço para Flávio, deixa claro que pretende manter sua autonomia.

Apoio, sim. Cheque em branco, não.

É uma diferença pequena na frase, mas enorme na política.

E a campanha do segundo turno mal começou.

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