
O agronegócio continua fazendo a sua parte - e fazendo muito bem. As exportações do Piauí alcançaram US$ 1,109 bilhão, o equivalente a R$ 5,545 bilhões, entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado não é apenas uma boa notícia para o comércio exterior: é mais uma demonstração da força de um setor que se tornou uma das principais locomotivas da economia piauiense, mesmo convivendo com infraestrutura deficiente, burocracia, gargalos logísticos e, em muitos momentos, medidas do próprio Governo do Estado que parecem mais atrapalhar do que estimular quem produz.
Os números de setembro são ainda mais expressivos. O Piauí exportou US$ 228,6 milhões, cerca de R$ 1,142 bilhão, alta de 30,5% sobre setembro de 2025 e de 9% em relação a agosto deste ano. Enquanto as exportações dispararam, as importações ficaram em apenas US$ 13,4 milhões, produzindo um superávit de US$ 215,1 milhões, aproximadamente R$ 1,075 bilhão. É dinheiro que entra no Estado e revela, na prática, o peso crescente da produção piauiense no mercado internacional.
A sequência do segundo semestre também merece atenção. Foram US$ 165,4 milhões em julho, US$ 208 milhões em agosto e US$ 228,6 milhões em setembro. Ou seja, o crescimento não está apoiado em um único mês excepcional. Há uma trajetória consistente de expansão. E quem está puxando essa locomotiva tem nome e endereço: o interior produtivo do Piauí.
A soja responde por nada menos que 93% das exportações de setembro, movimentando US$ 212,6 milhões. Farelo de soja e derivados, algodão, óleos e gorduras, mel e cereais completam a pauta. Municípios como Uruçuí, Bom Jesus, Baixa Grande do Ribeiro, Monte Alegre do Piauí e Santa Filomena aparecem entre os principais responsáveis pelo resultado. São regiões que transformaram áreas antes vistas como pouco promissoras em importantes polos de produção e exportação.
A força do agro também pode ser medida pelo alcance de seus mercados. A China absorveu 68,5% das exportações piauienses em setembro, seguida por Espanha, Tailândia, Reino Unido, Turquia e França. O Piauí, portanto, está cada vez mais conectado às grandes cadeias internacionais de alimentos e commodities. É uma inserção construída principalmente pela iniciativa privada, pelos produtores, investidores, trabalhadores e empreendedores que apostaram no potencial do Estado.
O paradoxo é que esse avanço ocorre em um ambiente no qual o setor produtivo frequentemente reclama de falta de infraestrutura adequada, problemas de estradas, logística cara, burocracia e políticas públicas que poderiam ser muito mais eficientes. Em alguns casos, o produtor não recebe o incentivo que deveria receber; em outros, precisa enfrentar medidas e decisões governamentais que criam obstáculos adicionais. Ainda assim, produz, investe, colhe e exporta.
É justamente aí que está a maior lição desses números: o agro piauiense não está esperando o Estado para crescer. Cresce porque existe terra produtiva, tecnologia, capital privado, conhecimento, empreendedorismo e uma gente disposta a correr riscos. O papel do poder público deveria ser remover obstáculos, garantir segurança jurídica, melhorar estradas, ampliar infraestrutura hídrica e energética, reduzir burocracia e criar condições para que o setor avance ainda mais.
O Piauí já demonstrou que tem capacidade de produzir para o Brasil e para o mundo. O desafio agora é transformar essa força em desenvolvimento mais amplo, com infraestrutura, industrialização, agregação de valor e melhores condições para quem produz. Se o agro consegue avançar mesmo quando falta apoio - e, em determinados momentos, quando precisa enfrentar o próprio governo - imagine onde poderia chegar se tivesse o poder público efetivamente ao seu lado.
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